
Jerusalém, 28 fev (Lusa) — O movimento radical palestiniano Hamas pediu hoje à comunidade internacional para responsabilizar Israel por “crimes de guerra”, possibilidade evocada num relatório da ONU sobre a resposta israelita a protestos na Faixa de Gaza.
O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, “saúda” o relatório, disse à agência France Presse Bassem Naim, um alto responsável do movimento islâmico.
“Apelamos à comunidade internacional para responsabilizar o ocupante israelita pelos crimes de guerra que continua a cometer contra os palestinianos”, adiantou.
Num relatório divulgado hoje, uma comissão de inquérito mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU considera que a resposta israelita a manifestações no enclave palestiniano em 2018 “pode constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade”, sublinhando que atiradores militares visaram civis, incluindo crianças.
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, classificou o relatório de “hostil, mentiroso e parcial”.
Para o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, o Conselho de Direitos Humanos da ONU “está a estabelecer novos recordes para a hipocrisia e falsidade, devido a um ódio obsessivo a Israel”.
Num comunicado, Netanyahu sublinhou o direito de Israel de se defender e responsabilizou o Hamas pela violência na Faixa de Gaza.
Segundo a comissão da ONU, “mais de seis mil manifestantes desarmados foram baleados por atiradores militares de elite semana após semana nas manifestações”.
A Faixa de Gaza é palco desde 30 de março de 2018 de manifestações de milhares junto à barreira de segurança que separa o enclave do território israelita no âmbito dos protestos da “marcha do retorno”, que reivindica o direito de os refugiados palestinianos regressarem à s terras de onde fugiram ou foram expulsos aquando da criação de Israel em 1948.
Pelo menos 251 palestinianos foram mortos por tiros israelitas desde aquela data, a maioria ao longo da fronteira e outros devido a ataques aéreos israelitas em represália por atos hostis com origem no enclave. Dois soldados israelitas foram mortos durante o mesmo perÃodo de tempo.
Bassem Naim considerou que “o relatório não deixa dúvidas sobre o facto do ocupante israelita ter cometido crimes de guerra contra os palestinianos que se manifestavam pacificamente”.
Israel acusa o Hamas de crimes de guerra por disparar ‘rockets’ contra a população israelita e por utilizar civis palestinianos como “escudos humanos”.
A Autoridade Palestiniana, rival do Hamas e com sede na Cisjordânia, também saudou o relatório da ONU e apelou ao Tribunal Penal Internacional para abrir “imediatamente um inquérito”.
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