Hamas pede aumento de ajuda após chuva causar inundações em Gaza

Faixa de Gaza, Palestina, 14 nov 2025 (Lusa) – O movimento islamita palestiniano Hamas apelou hoje à comunidade internacional para aumentar a ajuda à população da Faixa de Gaza à aproximação do inverno, após fortes chuvas terem inundado centenas de tendas de campanha de deslocados.

O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, pediu “responsabilidade moral, humanitária e jurídica” à comunidade internacional, perante “um desastre” que se agravou mais ainda no enclave palestiniano após as chuvas torrenciais hoje registadas.

“A contínua incapacidade dos países árabes, islâmicos e internacionais de prestar ajuda a Gaza perante este desastre e a chegada do inverno incentiva a ocupação [israelita] a intensificar o cerco a Gaza e a aumentar catastroficamente o sofrimento do seu povo”, sustentou Qassem, citado pelo diário Filastin, ligado ao Hamas.

De acordo com o porta-voz da Defesa Civil em Gaza, Mahmud Basal, as casas com brechas encontram-se degradadas e correm o risco de ruir, sendo necessárias aproximadamente 450 mil tendas de campanha para abrigar os deslocados em Gaza.

Condenou, por isso, que o Governo de Israel continue “a impor severas restrições” à entrada de ajuda humanitária no território, “contra o que está estipulado” no âmbito do acordo sobre a aplicação da primeira fase da proposta de paz dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza.

Está em vigor desde 10 de outubro um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas para pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Esta fase da trégua envolveu a retirada parcial do Exército israelita para a denominada “linha amarela” demarcada pelos Estados Unidos, linha divisória entre Israel e a Faixa de Gaza, a libertação de 20 reféns vivos em posse do Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinianos.

A retaliação de Israel ao ataque de outubro de 2023 fez na Faixa de Gaza pelo menos 69.201 mortos – entre os quais mais de 20.000 crianças – e 170.703 feridos, na maioria civis, segundo números hoje atualizados (com as vítimas das quebras do cessar-fogo por Israel) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

Fez igualmente milhares de desaparecidos, soterrados nos escombros e espalhados pelas ruas, e mais alguns milhares que morreram de doenças e infeções e fome, causada por mais de dois meses de bloqueio de ajuda humanitária e pela posterior entrada a conta-gotas de mantimentos, distribuídos em pontos considerados “seguros” pelo Exército, que regularmente abria fogo sobre civis famintos.

Há muito que a ONU declarou o território em grave crise humanitária, com mais de 2,1 milhões de pessoas numa “situação de fome catastrófica” e “o mais elevado número de vítimas alguma vez registado” pela organização em estudos sobre segurança alimentar no mundo, mas a 22 de agosto emitiu uma declaração oficial do estado de fome na cidade de Gaza e arredores.

Já no final de 2024, uma comissão especial da ONU acusara Israel de genocídio em Gaza e de usar a fome como arma de guerra, situação também denunciada por países como a África do Sul junto do Tribunal Internacional de Justiça, e uma classificação igualmente utilizada por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

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