Habitação: Cerca de 300 pessoas voltam à Praça D. João I no Porto

Porto, 28 out 2026 (Lusa) – Cerca de 300 pessoas encontravam-se hoje na Praça D. João I, no Porto, pelas 19:30, para reivindicar o direito à habitação, na continuação do protesto que começou neste local a 10 de outubro.

Quando estava prestes a começar a assembleia popular do dia, cerca de 300 pessoas encontravam-se já no local, onde funcionava também a cantina popular, que tem alimentado quem quer que queira sem pagar nada, com fila significativa para este espaço iluminado.

Depois de um concerto de B Fachada, as pessoas aguardavam o arranque da assembleia popular, na praça onde existia também um cantinho dedicado a crianças, intitulado “Resistir a Brincar”.

Sem presença policial visível, a zona onde as pessoas se encontram continua, como noutros dias, ladeada por faixas, a apelar a uma “greve geral”, a lembrar as seis reivindicações centrais do movimento da Acampada e que não haja “nem mais um despejo”.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República.

O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação “e nunca à violência”, afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

 

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