
Lisboa, 11 jan 2024 (Lusa) — Professores com mais de 11 turmas atribuÃdas, mais de 200 alunos ou a dar aulas a vários nÃveis de ensino são casos denunciados no inquérito da Fenprof, que alerta para o perigo de mais casos de “burnout”.
Os professores do 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário estão a trabalhar, em média, mais de 50 horas por semana, segundo os dados preliminares do inquérito realizado pela Fenprof entre setembro e outubro e que envolveu 4.471 docentes de todo o paÃs.
O sobretrabalho já tinha sido denunciado em 2017 pela Fenprof, que na altura disse que se registavam semanas de trabalho de 47 horas, mas “a situação agravou-se” nos últimos sete anos, sublinhou o dirigente sindical Vitor Godinho, em declarações à Lusa.
A trabalhar mais 15 horas por semana, os professores são obrigados a sacrificar a sua vida pessoal e familiar, o que os pode levar “à exaustão”, havendo muitas “situações de burnout”, alertou, lembrando que também fica em causa a qualidade de ensino.
Mais alunos e mais turmas atribuÃdas são sinónimo de mais trabalho, que se nota em tarefas como preparar aulas ou corrigir testes e trabalhos de casa.
O inquérito hoje divulgado mostra que 43,2% dos professores têm mais de 100 alunos: 38% tem entre 100 e 200 estudantes e os restantes 5,3% têm mais de 200 alunos.
Vitor Godinho garante que os dados do inquérito podem ser extrapolados para o universo da classe, uma vez que estão representados todos os grupos etários, regiões do paÃs, grupos de recrutamento ou sexo.
Os professores com muitos alunos acabam por ter maiores dificuldades em fazer um acompanhamento personalizado. “Os professores já não estão a dar o melhor de si”, disse, explicando que “ao terem 200 alunos a cargo torna-se difÃcil conhecê-los a todos” e a frustração pode dar lugar ao ‘burnout’.
O estudo mostra que apenas metade dos docentes tem menos de cinco turmas atribuÃdas, o que para a Fenprof deve ser o limite máximo de turmas atribuÃveis a cada docente.
Já um em cada cinco docentes (19,5%) tem sete ou mais turmas a cargo, havendo mesmo 4,2% dos professores com 11 ou mais turmas atribuÃdas.
Ter mais alunos e turmas é sinónimo de mais trabalho, sendo que há casos de professores que têm turmas de vários nÃveis de ensino: A Fenprof defende que o máximo devem ser três nÃveis, mas 10% têm quatro nÃveis e 6,8% têm, pelo menos, cinco.
A trabalhar mais de 15 horas semanais do que o previsto por lei, o sindicalista diz ser “preciso impedir que a ilegalidade se instale” e pede aos responsáveis polÃticos que olhem para os resultados do inquérito “para que o inferno não seja o limite”.
A Fenprof volta a apresentar um conjunto de medidas para garantir a aplicação dos horários de 35 horas, que vão desde “uma distinção séria e clara entre componentes letiva e não letiva do horário dos professores”, voltando a componente letiva a englobar todas as atividades diretas com alunos.
Garantir que os professores têm no máximo 100 alunos, cinco turmas e duas disciplinas, nÃveis ou áreas curriculares é outra das reivindicações.
A redução da componente letiva de base para 20 horas semanais e a redução de horas para quem tem cargos de natureza pedagógica “em número de horas condizente com as funções e tarefas a desempenhar” também fazem parte do caderno reivindicativo.
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