
Nações Unidas, 28 jan 2025 (Lusa) – O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o prolongamento até 18 de fevereiro do cessar-fogo entre Israel e o LÃbano, mas demonstrou preocupação com a morte de civis no sul do LÃbano.
“Recorde-se que a cessação das hostilidades entre as partes levou a uma redução significativa das hostilidades, um desenvolvimento positivo após um perÃodo de violência intensificada que temos assistido, e este desenvolvimento positivo deve ser preservado”, disse o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, numa conferência de imprensa.
No entanto, Guterres manifestou preocupação com os relatos de múltiplas vÃtimas devido ao fogo israelita contra civis libaneses que regressavam à s aldeias onde as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) continuam presentes no sul do LÃbano, e apelou “à s partes para que exerçam contenção e cautela”.
O Ministério da Saúde libanês estimou o número de mortes nos últimos dois dias em 26.
Guterres instou Israel e o LÃbano a cumprirem os compromissos em relação ao acordo sobre a cessação das hostilidades e apelou a mais progressos na mobilização do Exército libanês e na retirada das IDF.
O português sublinhou a importância de “evitar novas medidas que poderiam aumentar as tensões, colocar civis em perigo e atrasar ainda mais o seu regresso à s suas cidades e vilas de ambos os lados, Israel e LÃbano”.
Na segunda-feira, o secretário-geral do movimento xiita libanês Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou o prolongamento do cessar-fogo com Israel no LÃbano e exigiu a retirada das tropas israelitas de todos os territórios ocupados no sul do paÃs.
Num discurso transmitido pela estação de televisão Al-Manar, controlada pelo Hezbollah, Wasem defendeu que Israel se deveria “retirar após o prazo dos 60 dias” do cessar-fogo inicialmente acordado, que terminou no domingo.
O lÃder do Hezbollah sublinhou ainda que a violação do acordo por Israel constitui a confirmação de que o LÃbano necessita do movimento armado xiita, que considera que as suas ações são parte integrante da resistência à ocupação israelita do sul do LÃbano.
“As violações do acordo de cessar-fogo confirmam a necessidade de resistência do LÃbano”, salientou Qasem.
Qasem responsabilizou a ONU e os Estados Unidos por “todas as repercussões provocadas pelo atraso da retirada israelita, que ontem [domingo] fez 24 mortos e 124 feridos que tentavam regressar à s suas aldeias ocupadas no sul do LÃbano”, e criticou o silêncio dos lÃderes internacionais sobre a prorrogação do acordo.
“Não ouvimos nenhuma crÃtica dos soberanos sobre as violações do cessar-fogo”, afirmou Qasam.
Ao mesmo tempo, acusou Israel de “crimes de guerra” devido à s suas operações no paÃs, que deixaram mais de 4.000 mortos e 16.638 feridos entre setembro e dezembro de 2024, quando o acordo já estava em vigor.
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