
Nações Unidas, 17 jun 2021 (Lusa) — O secretário-geral da ONU pediu hoje que os mais de 100 paÃses de rendimentos médios sejam integrados na resposta global à crise económica, defendendo a criação de mecanismos para enfrentar os seus elevados nÃveis de endividamento.
“Se os paÃses de rendimento médico [onde vive cerca de 70% da população mundial] estiverem bem integrados no plano, poderemos ver uma transformação estrutural da economia global, combater as alterações climáticas e acelerar o progresso para os objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse António Guterres, na abertura da primeira reunião de alto nÃvel da Assembleia Geral, que se centra nestes paÃses.
Mas essa “integração plena” enfrenta muitos desafios e obstáculos, alertou o secretário-geral das Nações Unidas, lembrando que estes paÃses não são “um bloco monolÃtico” já que estão incluÃdos Estados com nÃveis de rendimento ‘per capita’ que variam entre 1.000 e mais de 12.000 dólares (entre 840 e mais de 10 mil euros) por ano, apresentando muitas diferenças noutros fatores, como o número de habitantes ou a principal ocupação económica.
No entanto, o secretário-geral observou que muitos destes paÃses são apanhados na “armadilha” do rendimento médio, que implica que, quando os rendimentos aumentam, a competitividade diminuiu, uma vez que a mão-de-obra se torna mais cara.
Isto, aliado ao facto de serem incapazes de competir a nÃvel de exportações altamente qualificadas e de valor agregado “devido à baixa produção de mão-de-obra e outras limitações institucionais e de capacidade, frequentemente resultantes de uma combinação de crescimento lento, salários estagnados ou em queda e uma economia informal em crescimento”, explicou Guterres.
Esta situação foi agravada pela crise económica, provocada pelos efeitos da pandemia de covid-19 nestes paÃses, que acabou por afetar nomeadamente os setores do comércio e do turismo e “expôs e exacerbou as vulnerabilidades económicas, sociais e ambientais de muitos paÃses de rendimento médio”, onde reside 62% da pobreza mundial.
Guterres sublinhou que é necessário reforçar a resiliência destes paÃses, com um sistema comercial multilateral mais eficiente e no domÃnio do rendimento, através da mobilização de recursos para estas nações, juntamente com uma revisão das despesas.
Ainda assim, é imperativo criar “melhores mecanismos e maior cooperação internacional para enfrentar os nÃveis crescentes e insustentáveis da dÃvida em muitos paÃses de rendimento médio”, defende.
No que toca aos apoios externos, acrescentou que, “embora a resposta global à crise da dÃvida esteja a tentar, com razão, apoiar os paÃses de baixos rendimentos, os paÃses de rendimentos médios não devem ser deixados para trás”.
Estes são territórios que necessitam de “melhor acesso a tecnologias, investigação e inovação e também a melhores práticas de gestão”.
Como resultado da crise, estes paÃses sofrerão “restrições duradouras sobre a despesa pública central e sobre uma série de objetivos climáticos e de desenvolvimento nos próximos anos”, exortou o secretário-geral da ONU.
Guterres concluiu por insistir na necessidade de um novo mecanismo de dÃvida que “forneça um menu de opções, incluindo recompra de dÃvidas, cancelamentos e permutas”.
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