Guterres preocupado com agravamento da situação de segurança na Etiópia

Nações Unidas, 21 set 2026 (Lusa) – O secretário-geral das Nações Unidas manifestou hoje a sua preocupação face ao agravamento da situação de segurança na Etiópia e à formação da coligação de sete grupos políticos, alguns dos quais armados, que visam a destituição do Governo.

“Estamos profundamente preocupados com o agravamento da situação de segurança e com os recentes acontecimentos na Etiópia, incluindo a formação de uma nova coligação de grupos armados e as notícias sobre a persistência da insegurança e os ataques com ‘drones'”, afirmou Stéphane Dujarric, porta-voz de António Guterres, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.

Guterres apelou a “todas as partes” para que se abstenham de realizar ações e fazer declarações “que possam agravar ainda mais a situação”, num contexto de “tensões crescentes” na região.

O diplomata português exortou igualmente os diversos atores políticos a “renovarem o seu compromisso com o diálogo”, defendendo que “a ação militar não resolverá as divergências políticas nem abordará as causas subjacentes do descontentamento”.

Guterre reafirmou o apoio das Nações Unidas aos esforços da União Africana para “impulsionar a aplicação do Acordo de Pretória” (África do Sul), assinado há quatro anos.

A declaração surge um dia depois de sete grupos — o Movimento Nacional Amhara Fano, o Exército de Libertação Oromo, a Frente Popular para a Libertação de Tigray (TPLF), a Frente Nacional de Libertação de Ogaden, a Frente Nacional de Unidade de Afar, o Movimento Popular de Libertação de Benishangul e o Movimento Democrático Popular de Gumuz — terem formado a Coligação pela Sobrevivência das Forças Populares Etíopes (CSFPE).

A coligação, anunciaram, tem como objetivo imediato a destituição do Governo e a criação de um executivo de transição provisório e inclusivo, regido por uma Carta de Transição que procurará “pôr fim aos conflitos armados e dar resposta às crises de segurança, humanitárias, sociais e económicas” da Etiópia.

A Coligação pela Sobrevivência acusa o Governo de inação face à insegurança, ao conflito armado, à deslocação da população, à pobreza e à erosão dos direitos democráticos e dos direitos humanos. Critica o que apelida “regime ditatorial personalista e genocida” de Abiy Ahmed, por trazer ao país “a guerra, o genocídio e a destruição”, que podem provocar a “desintegração total” da nação.

Em julho, o Governo etíope considerou dissolvido o acordo de paz assinado em 2022, em Pretória, com o TPLF, o que levou ao reinício de uma guerra que, em apenas dois anos (2020-2022), causou entre 100.000 e 600.000 mortos, dependendo da fonte.

Após o acordo de Pretória, o Tigray permaneceu sob um governo provisório aceite pelas autoridades federais do país até ao regresso do TPLF ao poder regional no início do mês de maio.

Desde então, têm denunciado inúmeras vezes o Governo etíope por incumprir os termos acordados em Pretória e manter a região num estado de completa marginalização.

O Governo federal, por seu lado, não reconheceu a administração reinstaurada e tem insistido que a única autoridade em vigor na região é a Administração Regional Provisória de Tigray, estabelecida ao abrigo do Acordo de Pretoria, e agora substituída pelo TPLF.

 

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