
Beirute, 19 dez 2021 (Lusa) – O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, começou hoje no LÃbano uma visita de três dias para transmitir solidariedade ao povo daquele paÃs, em crise económica e politicamente dividido.
Guterres deverá apelar aos lÃderes polÃticos libaneses para fazerem reformas que conduzam ao fim do impasse no governo e no parlamento, que têm impedido o paÃs de começar a negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) uma forma de sair da crise económica.
Os polÃticos libaneses estão ainda divididos sobre o inquérito à gigantesca explosão no porto de Beirute em agosto de 2020 que matou 216 pessoas, feriu milhares e destruiu partes da capital.
“Quando eu era alto comissário [das Nações Unidas] para os refugiados, vim muitas vezes ao LÃbano e testemunhei a solidariedade do seu povo com tantos refugiados. Acho que o mundo inteiro tem que demonstrar agora a mesma solidariedade com o povo do LÃbano”, afirmou Guterres à chegada a Beirute.
António Guterres deverá visitar o porto, prestar homenagem aos mortos e reunir-se com famÃlias das vÃtimas, além de se encontrar com o Presidente, Michel Aoun.
Numa mensagem divulgada na sexta-feira, o ex-primeiro-ministro português apelou aos lÃderes polÃticos libaneses para “porem as pessoas primeiro” e adotarem reformas que promovam a responsabilização, a transparência e combatam a corrupção.
O colapso económico no paÃs é um dos mais graves a nÃvel mundial nos últimos 150 anos, com a inflação e os preços dos bens básicos a dispararem numa economia em que mais de 80 por cento dos bens de consumo são importados.
Há falta de combustÃvel, de medicamentos, limites aos levantamentos e transferências bancárias, sobretudo em moeda estrangeira, que fazem desesperar os habitantes do paÃs, que há uns anos era de rendimento médio.
Enquanto a pobreza aumenta exponencialmente, a classe polÃtica, acusada de fomentar a corrupção e a má gestão durante anos, continua sem arranjar soluções drásticas para a crise.
Os doadores internacionais aumentaram a ajuda humanitária ao paÃs, mas recusam apoiar o Governo enquanto não houver acordo para um plano reformista.
António Guterres frisou também que as eleições do próximo ano serão essenciais para garantir um futuro melhor, embora a classe polÃtica também não consiga chegar a acordo sobre a data e pormenores de realização do escrutÃnio, previsto para o segundo trimestre do próximo ano.
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