
Mindelo, Cabo Verde, 21 jan 2023 (Lusa) – O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou hoje em Cabo Verde que os paÃses do Norte “não têm consciência da frustração” e zanga existente no Sul, pela “falta de Justiça” nas relações.
“Muitos paÃses do Norte não têm consciência da frustração, mesmo da zanga que neste momento existe no Sul, pela falta de solidariedade e pela falta de Justiça nas relações económicas globais”, afirmou Guterres no Mindelo, no evento “Prime Minister Speaker Series”, com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.
“Até há esta ideia nós até somos muito bons, que somos os paÃses doadores. Como somos os paÃses doadores, até estamos a contribuir para ajudar os paÃses do Sul, esquecendo que as regras de funcionamento do nosso sistema económico e financeiro e a forma como funcionam as instituições criadas a seguir à II Guerra Mundial são geradoras de profundas injustiças para com os paÃses do Sul, sem falar da herança colonial, sem falar de todo um conjunto de outros aspetos”, disse Guterres, durante o evento, uma “conversa” em público com o primeiro-ministro.
António Guterres iniciou hoje uma visita de três dias a Cabo Verde, no âmbito da Ocean Race, a maior regata do mundo que de 20 a 25 de janeiro faz escala na ilha cabo-verdiana de São Vicente, participando na segunda-feira, também no Mindelo, na Ocean Summit.
Para o secretário-geral das Nações Unidas, que falava sobre a inação dos paÃses mais ricos perante a necessidade de medidas para conter as alterações climáticas, “há uma falta de consciência nos paÃses do Norte a que está associado o egoÃsmo”, enquanto “defeito humano bem conhecido”.
“E depois há uma outra coisa terrÃvel nos sistemas polÃticos e em parte dos sistemas empresariais, que é a preferência pelo imediato. As questões climáticas, as questões dos oceanos, as questões da biodiversidade são questões permanentes, são questões de longo prazo”, apontou.
“Eu dizia, quando era primeiro-ministro [de Portugal], que se há um problema, temos que resolver até ao telejornal das oito. Agora não é telejornal das oito, agora é um ‘tweet’ que vai surgir daqui a cinco minutos. E os sistemas polÃticos perderam a noção do horizonte de longo prazo em muitas situações”, recordou.
O secretário-geral das Nações Unidas reconheceu que “grande parte da ação polÃtica, do debate polÃtico, de Governos, de oposições, dos média é associado à s pequenas questões do dia-a-dia e não permite dar a devida prioridade à s questões de longo prazo”.
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