
Nações Unidas, 20 jun 2022 (Lusa) — O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, denunciou hoje no Conselho de Segurança que “a situação humanitária na SÃria continua terrÃvel” e defendeu a manutenção da travessia transfronteiriça entre o paÃs e a Turquia, à qual Damasco se opõe.
Por ocasião de uma sessão do Conselho de Segurança dedicada à situação humanitária na SÃria, Guterres lembrou que 14,6 milhões de sÃrios precisam de ajuda 11 anos após o inÃcio da guerra no paÃs, que começou com uma onda de protestos a pedir a queda do regime de Bashar al-Assad.
“Doze milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar, sem saber de onde virá a sua próxima refeição”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, antes de enfatizar que 90% da população sÃria vive abaixo da linha da pobreza.
Guterres, que reconheceu que foi feito um “grande progresso” para ampliar a resposta humanitária no paÃs e que o pior foi evitado, alertou que “é preciso mais” e especificou a importância de arrecadar 4,4 mil milhões de dólares “para ajudar as pessoas na SÃria e outros 5,6 mil milhões para apoiar os refugiados na região.
“É por isso que sempre afirmei a importância de manter e expandir o acesso, inclusive através de operações transfronteiriças”, disse o português.
“Quando se trata de fornecer ajuda vital à s pessoas necessitadas em toda a SÃria, todos os canais devem estar disponÃveis e permanecerem disponÃveis”, insistiu.
De acordo com Guterres, desde que as medidas foram autorizadas pelo Conselho de Segurança em 2014, entraram naquele paÃs do Médio Oriente 50 mil camiões com ajuda humanitária.
Das cinco etapas originais, resta apenas uma (no noroeste da SÃria), devido à oposição da Rússia, principal parceiro de Damasco nas Nações Unidas, e que defende que qualquer ajuda que entre no paÃs deve ser controlada pelo do Governo sÃrio.
“Apelo fortemente aos membros do Conselho de Segurança para que mantenham o consenso sobre a permissão de operações transfronteiriças, renovando a resolução 2.585 por mais 12 meses”, disse.
“É um imperativo moral abordar o sofrimento e a vulnerabilidade de 4,1 milhões de pessoas na área que precisam de ajuda e proteção”, acrescentou.
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