
Lisboa, 21 nov 2025 (Lusa) — Os eleitores guineenses vão à s urnas no domingo para eleições gerais, presidenciais e legislativas, que a campanha eleitoral centralizou na escolha entre a continuidade do Presidente, Umaro Sissoco Embaló, ou a mudança de regime.
Embaló, que concorre a um segundo mandato, partiu para estas eleições com aparente vantagem, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter rejeitado a inscrição daquele que era apontado como principal adversário, Domingos Simões Pereira, lÃder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Fora da corrida eleitoral, o partido da libertação da Guiné-Bissau, e a coligação que liderava, a PAI-Terra Ranka – vencedora das legislativas de 2023 e afastada do poder com a dissolução do parlamento, no mesmo ano -, decidiu apoiar o candidato independente Fernando Dias.
Dias emergiu nestas eleições como principal adversário e a corrida eleitoral transformou-se numa disputa entre o candidato n.º 4 e o candidato n.º 11, o lugar em que Fernando Dias e Umaro Sissoco Embaló aparecem no boletim de voto, respetivamente, nas eleições presidenciais, com um total de 12 candidatos.
No domingo, decorrem em simultâneo eleições legislativas com 14 candidaturas e uma única coligação, a Plataforma Republicana “Nô kumpu Guiné”, apoiante de um segundo mandato de Embaló.
Vários organismos e analistas internacionais têm alertado para os riscos de nova crise pós-eleitoral na Guiné-Bissau, independentemente do resultado de domingo.
Se Sissoco Embaló for reeleito e conseguir uma maioria absoluta na Assembleia Nacional Popular, as análises antecipam uma revisão à Constituição para concentrar mais poderes no Presidente, num paÃs com um sistema semi-presidencialista, em que é o parlamento que legisla e fiscaliza.
Sem uma maioria favorável no parlamento, aponta-se o risco de nova dissolução. Durante os cinco anos de mandato, Sissoco Embaló dissolveu duas vezes o parlamento.
Outro risco que tem sido apontado no pós-eleições é a contestação aos resultados eleitorais por parte da oposição, que tem falado na falta de transparência do processo eleitoral, pela primeira vez totalmente financiamento pelo paÃs.
A desconfiança nas instituições que gerem o processo eleitoral é também citada nas análises, nomeadamente as interrogações sobre a composição do Supremo Tribunal de Justiça, que tem também competência constitucional na Guiné-Bissau e a caducidade do secretariado executivo da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Se o principal adversário, Fernando Dias, apoiado pelo PAIGC, ganhar as eleições, os analistas continuam a antecipar eventuais cenários de crise, desde logo porque não terá representação no parlamento.
Nenhuma das forças partidárias da anterior composição da Assembleia Nacional Popular estão representadas nestas eleições e Fernando Dias já disse que se vencer vai dissolver o parlamento e repor a ordem anterior da maioria Terra-Ranka.
Nas análises a estas eleições há também chamadas de atenção para o papel das Forças Armadas, com o episódio, na véspera do inÃcio da campanha eleitoral, de detenções entre oficiais por alegada tentativa de golpe, e receios de divergências entre os militares depois dos resultados de domingo.
A comunidade internacional, como a Comunidade dos PaÃses de LÃngua Portuguesa (CPLP) está no terreno a fazer observação eleitoral do processo, mas os analistas entendem que têm cada vez menos peso interno na Guiné-Bissau.
Além do novo Presidente da República, os guineenses vão também eleger os 102 deputados que compõem a Assembleia Nacional Popular, que está fechada desde a dissolução, em dezembro de 2023.
O presidente da Assembleia foi deposto e a maioria PAI-Terra Ranka afastada do poder e nomeado um Governo de iniciativa presidencial.
Se o candidato apoiado pelo PAIGC perder as eleições, antecipa-se uma perda de influência do histórico partido e enfraquecimento da oposição tradicional.
A dissolução do parlamento originou as eleições legislativas antecipadas deste domingo, que decorrem em simultâneo com as presidenciais, depois da polémica do fim do mandato do Presidente que, para a oposição, terminou em fevereiro de 2025 e para o chefe de Estado em setembro de 2025.
Para estas eleições estão inscritos 966.152 eleitores, um número superior em mais de 42 mil que nas legislativas de 2023.
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