Guiné-Bissau: Militares determinam não estarem reunidas condições para regresso de ex-PR

Lisboa, 01 out 2026 (Lusa) – O Alto Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado em novembro passado na Guiné-Bissau anunciou hoje que “não estão reunidas as condições de segurança” para garantir o regresso do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.

Num comunicado divulgado pela comunicação social guineense e consultado pela Lusa nas suas páginas nas redes sociais, o Alto Comando diz ter tomado a decisão numa reunião hoje realizada em Bissau em que foi analisada a situação política, social e de segurança do país.

Nessa reunião, acrescenta, foi determinado que Umaro Sissoco Embalo não poderá regressar ao país “exclusivamente por razões de segurança nacional, da preservação da ordem pública e na prevenção de situações que possam comprometer a estabilidade e a tranquilidade social”.

O antigo chefe de Estado guineense, deposto pelos militares no dia 26 de novembro de 2025, anunciou, no início desta semana, o seu “regresso voluntário ao país” no próximo domingo e apelou a que a sua chegada decorra “num ambiente de harmonia, tolerância e respeito mútuo”.

O anúncio do regresso de Embaló foi feito pelo próprio nas redes sociais.

Dias depois, numa entrevista à revista Jeune Afrique (JA) a partir de Brazzaville, República do Congo, de onde deverá seguir para Bissau, anunciou que será candidato nas eleições presidenciais marcadas para 06 de dezembro próximo.

No comunicado hoje divulgado, o Alto Comando Militar reitera que continuam em vigor as medidas de segurança estabelecidas no âmbito da Transição Política, nomeadamente a proibição de manifestações, concentrações e aglomerações de cariz político até nova determinação das autoridades competentes.

O documento alerta que “qualquer ato de desacato ou incumprimento” destas normas “será da inteira responsabilidade dos respetivos autores”, sem prejuízo das consequências legais.

Perante o cenário, o Alto Comando Militar apelou ao sentido de responsabilidade cívica do povo guineense, bem como à colaboração da comunidade internacional, corpo diplomático, sociedade civil, confissões religiosas e autoridades tradicionais na preservação da paz.

O órgão que dirige a Guiné-Bissau desde o golpe, apelou igualmente a que todos os cidadãos “se abstenham de atos que possam provocar confrontação ou instabilidade”, fazendo prevalecer a disciplina e o respeito pelas determinações oficiais.

Também nas redes sociais, partidários do ex-presidente guineense têm apelado para que no domingo haja “uma receção calorosa” de Sissoco Embaló no aeroporto Internacional de Bissau.

Umaro Sissoco Embaló presidiu à Guiné-Bissau de 27 de fevereiro de 2020 a 26 de novembro de 2026, quando foi derrubado por um golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República.

A oposição considerou que se tratou de um “golpe cerimonial” por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais que o bloco defende terem sido ganhas “à primeira volta” por Fernando Dias da Costa.

Os militares marcaram para 06 de dezembro novas eleições legislativas e presidenciais.

 

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

 

MLL // RBF

Lusa/Fim