Grok de Ellon Musk utilizada nos ataques dos Estados Unidos contra o Irão

Washington, 17 jun 2026 (Lusa) – A empresa de inteligência artificial (IA) de Elon Musk, Grok, foi utilizada nos ataques contra o Irão, revelou a Administração norte-americana num documento judicial.

A revelação consta de um documento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que defende as turbinas a gás de um gigantesco centro de dados da empresa do multimilionário, a xAI, alvo de uma queixa ambiental.

No documento, apresentado a 15 de junho e consultado pela agência France-Presse (AFP), o Departamento de Justiça argumenta que a queixa “ameaça a segurança nacional, económica e energética” do país, ao arriscar-se a cortar o fornecimento de energia a infraestruturas de IA agora utilizadas pelo exército.

Para sustentar o argumento, o departamento apresenta o testemunho de Cameron Stanley, responsável pela IA no Pentágono, que declara sob juramento que uma ferramenta derivada do Grok, o “Grok Gov Model”, já está a ser utilizada no âmbito do ‘Project Maven’, o programa de seleção de alvos assistido por IA do exército, inicialmente baseado no modelo Claude, da Anthropic.

De acordo com a declaração, os processos do Maven “permitiram às forças norte-americanas lançar mais de 2.000 munições contra 2.000 alvos distintos em 96 horas”, durante a guerra contra o Irão. O alto funcionário vê nestes números “a prova de um aumento muito significativo da eficácia operacional, possibilitado pelo Grok Gov Model”, sem especificar se este é o único modelo utilizado pelo programa.

Stanley afirma ainda que os utilizadores do Maven consomem “cerca de dois mil milhões de tokens” (unidades de computação) “por dia”, o que equivale a “até seis milhões de páginas” processadas, um volume que, segundo o responsável, torna a infraestrutura de computação da xAI indispensável.

As turbinas visadas pela queixa alimentam o Colossus 2, um supercomputador da xAI que alimenta o Grok, nos arredores de Memphis.

A NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, na sigla em inglês) processou a xAI, acusando-a de explorar, sem licença, dezenas de turbinas, em violação da lei sobre a qualidade do ar.

As turbinas poluem bairros de maioria negra, afirma a associação. A xAI defende que as suas turbinas são temporárias e móveis e que, por isso, não estão sujeitas à regulamentação evocada.

No final de fevereiro, a Administração de Donald Trump rescindiu os contratos com a Anthropic, que recusou que as suas ferramentas fossem utilizadas para ataques totalmente automatizados ou para a vigilância em massa dos norte-americanos.

O Pentágono recorreu então à Google, à OpenAI e à xAI, as outras três empresas norte-americanas de IA de ponta. A transição leva, porém, tempo e Washington teve de admitir, em março, que o Claude continuava a ser utilizado na guerra no Irão.

A utilização militar da IA suscita controvérsia. Na Google, mais de 600 funcionários exigiram, em abril, que não fosse fornecida IA ao exército para operações confidenciais. O grupo já tinha abandonado o projeto Maven em 2018, sob pressão dos seus engenheiros.

Próximo de Donald Trump, a quem apoiou e aconselhou, Musk integrou a xAI no seu grupo espacial SpaceX em fevereiro, que realizou, a 12 de junho, a maior entrada na bolsa de valores da história.

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