Governo timorense vai reativar artes marciais em janeiro do próximo ano

Díli, 02 nov 2026 (Lusa) — O presidente da Comissão Reguladora das Artes Marciais (KRAM) de Timor-Leste, Octávio da Conceição, disse à Lusa que o Governo timorense vai reativar as artes marciais em janeiro para as transformar numa atividade desportiva.

“O Governo vai reativar as artes marciais em janeiro do próximo ano”, afirmou o presidente da KRAM.

Segundo o responsável, a decisão do Governo visa transformar as artes marciais numa modalidade desportiva e também promover a inclusão social.

“O Governo pretende incentivar os jovens, especialmente as crianças e adolescentes, a integrarem a categoria de atletas, para exercerem os seus talentos e contribuir para o desenvolvimento do desporto”, afirmou Octávio da Conceição.

Além disso, disse o presidente da KRAM, a reativação vai permitir aos jovens timorenses participar em competições internacionais de alto nível.

A segunda razão apontada pelo Governo é a promoção da inclusão social, para assegurar a integração de todos os cidadãos na sociedade, garantindo igualdade de direitos e oportunidades.

“Todas as pessoas têm os mesmos direitos e as mesmas oportunidades perante a lei para avançarem juntas no mesmo caminho”, explicou o presidente da KRAM.

Questionado sobre a possibilidade de a reativação das artes marciais estar relacionada com a proximidade das eleições presidenciais e legislativas, o presidente da KRAM rejeitou qualquer ligação entre as duas questões.

“Muitas pessoas estão preocupadas com as eleições presidenciais e parlamentares. Na qualidade de presidente da KRAM, quero esclarecer que a intenção do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) e do Partido Democrático (PD) de reativar as artes marciais não visa a angariação de votos”, afirmou Octávio da Conceição.

Octávio da Conceição salientou também que o Governo tem observado uma redução do número de crimes no país.

“A reativação das artes marciais conta também com o apoio dos líderes das organizações de artes marciais”, disse.

O responsável explicou que já foram realizadas reuniões com as estruturas dirigentes da Associação Silat Padjajaran Nacional (ASPN), da organização Persaudaraan Setia Hati Terate (PSHT) e da Kmanek Oan Rai Klaran (KORK), para preparar a reativação da prática das artes marciais.

O parlamento timorense aprovou em julho o novo regime jurídico da prática de artes marciais que proíbe militares, policias, magistrados e oficiais de Justiça de integrar grupos de artes marciais e que inclui penas de prisão para a prática ilícita de artes marciais e rituais.

A lei determina também que os centros e clubes destinados à prática de artes marciais não podem integrar ou estar associados a qualquer partido político, ou associação política.

A suspensão do ensino, aprendizagem e práticas de artes marciais foi pela primeira vez imposta em Timor-Leste em novembro de 2023, na sequência de graves incidentes registados em todo o território nacional, que provocaram pelo menos quatro mortos e 26 feridos.

Desde então, o Governo tem renovado as suspensões por períodos de seis meses.

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