
DÃli, 29 jan 2026 (Lusa) — O Governo de Timor-Leste vai propor a alteração do regime da dÃvida pública para diversificar fontes de financiamento e diminuir a dependência do Fundo PetrolÃfero, anunciou hoje o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.
“A dÃvida pública refere-se aos empréstimos que fazemos junto de outros paÃses. Começámos a recorrer a empréstimos desde o quarto Governo, por se considerar que era melhor pedir emprestado do que retirar diretamente dinheiro do Fundo PetrolÃfero”, afirmou Xanana Gusmão.
Segundo o chefe do Governo, recorrer a empréstimos permite gastar de forma gradual e proteger o Fundo PetrolÃfero contra uma rápida diminuição.
“Desta forma, pagamos juros, mas de forma controlada, e mantemos o Fundo PetrolÃfero com um montante suficiente para continuar a investir”, explicou o primeiro-ministro, após o encontro semanal com o Presidente timorense, José Ramos-Horta.
O Governo timorense aprovou na terça-feira uma proposta de lei para alterar o Regime da DÃvida Pública para diversificar as fontes de financiamento do Orçamento Geral do Estado, reduzindo a forte dependência do Fundo PetrolÃfero.
“A proposta permite alargar o âmbito da emissão de dÃvida pública, deixando de a limitar exclusivamente ao financiamento de infraestruturas estratégicas, de forma a possibilitar o recurso a instrumentos como tÃtulos do Tesouro para o financiamento da despesa geral do Estado”, pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.
A alteração, segundo o executivo timorense, pretende também “alinhar o regime nacional da dÃvida pública com as práticas adotadas na generalidade dos paÃses e criar condições para uma gestão mais sustentável das finanças públicas a médio e longo prazo”.
O Governo justifica a iniciativa com a “sustentabilidade orçamental, preparar o paÃs para a progressiva diminuição das receitas do Fundo PetrolÃfero e assegurar maior estabilidade no financiamento das polÃticas públicas essenciais”.
“Todos sabemos que o Bayu-Undan já se esgotou e que o Fundo PetrolÃfero já não cresce como antes. Os investimentos também diminuÃram, à espera que o projeto Greater Sunrise venha a responder à s nossas necessidades”, afirmou Xanana Gusmão.
Localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o projeto Greater Sunrise tem estado envolvido num impasse, com DÃli a defender a construção de um gasoduto para o sul do paÃs e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.
O impasse levou a ‘joint venture’ a solicitar um estudo conceptual, que foi elaborado pela empresa britânica Wood, que confirmou a viabilidade do desenvolvimento do Greater Sunrise em Timor-Leste.
“A opção Gás Natural Liquefeito de Timor-Leste (TLNG, sigla em inglês) destaca-se por prever menores custos operacionais e, ao permitir melhores retornos gerais diretos e indiretos para Timor-Leste, criará um grande impacto socioeconómico no paÃs”, refere o Governo timorense.
O acordo de fronteira marÃtima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste, caso o gasoduto venha a ser construÃdo em direção a sul, ou 80%, se o processamento for em Darwin.
DPYF // VM
Lusa/Fim



