
DÃli, 06 set 2022 (Lusa) — O Governo timorense criou hoje e mandatou uma força conjunta, a ser formada pelas forças armadas e polÃcia nacionais, para “reprimir a situação criminosa de indivÃduos que está a causar instabilidade social”, desde a passada sexta-feira em DÃli.
“Na sequência dos graves incidentes ocorridos nos últimos dias entre indivÃduos integrados em grupos de artes marciais, com especial incidência nos confrontos ocorridos no final de ontem, dia 5 de setembro, em plena cidade de DÃli”, o Governo mandatou os chefes de estado-maior da polÃcia e das forças armadas a constituÃrem uma “força tarefa” conjunta para enfrentar o problema, em todo o território nacional, de acordo com um despacho hoje publicado no diário oficial timorense.
O despacho, assinado pelo ministro da Defesa interino, Fidelis Magalhães, e pelo vice-ministro do Interior, António Armindo, ressalva que a “situação de grave alteração da ordem pública” “não justifica” a declaração de um “estado de exceção constitucional”, mas “impõe ao Governo a adoção de medidas excecionais de atuação conjunta” entre as forças armadas e as forças policiais para “prevenir e dissuadir qualquer tentativa de atuação criminosa”.
Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, incluindo um efetivo das forças armadas, e pelo menos quatro pessoas foram detidas na sequência de confrontos entre grupos rivais e forças de segurança em DÃli, anunciaram hoje fontes policiais timorenses.
Os confrontos, que envolveram elementos de, pelo menos, dois grupos rivais de artes marciais, o PSHT e o 77, marcaram a tensão que se vive na capital timorense desde a morte, na sexta-feira, de um jovem de 21 anos que se encontrava detido numa cela da PolÃcia Nacional de Timor-Leste (PNTL) em DÃli.
Esse jovem, do grupo PSHT, foi detido na madrugada de quinta-feira depois de agredir violentamente um outro jovem, do grupo 77, que não resistiu aos ferimentos e morreu na segunda-feira à noite, no Hospital Nacional Guido Valadares.
Apesar das investigações iniciais apontarem o suicÃdio como causa da morte do jovem na cadeia, famÃlias e elementos do PSHT levantaram suspeitas sobre um possÃvel envolvimento de efetivos policiais na morte, com rumores a espalharem-se nas redes sociais.
Preventivamente, e apesar de ainda estar a decorrer a investigação pela PolÃcia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e pela PolÃcia CientÃfica de Investigação Criminal (PCIC), o comando geral da polÃcia timorense suspendeu os oito agentes que estavam de piquete no dia da morte, na sexta-feira passada.
Ainda assim, fontes da investigação explicaram à Lusa que os dados preliminares, incluindo a autópsia ao jovem de 21 anos, não apontam ter havido qualquer agressão, confirmando a morte por “asfixia mecânica por meio de enforcamento”.
PerÃcias e diligências adicionais continuam a ser conduzidas para apurar exatamente as circunstâncias da morte, confirmaram fontes policiais.
O velório do jovem, na sexta-feira, foi marcado por confrontos no centro de DÃli, tendo a polÃcia sido forçada a usar gás lacrimogéneo para dispersar uma multidão.
A tensão manteve-se durante o fim de semana, e, na segunda-feira, depois do funeral, apoiantes dos dois grupos rivais voltaram a confrontar-se, com vÃdeos amadores a registarem, entre outros momentos, as agressões com murros, pontapés e pedras a um efetivo das Forças de Defesa (F-FDTL), que tentava acalmar a situação.
A força tarefa hoje criada foi incumbida de levar a cabo “operações de patrulhamento em todo o território nacional” e de exercer “especial vigilância e controlo de todos os locais considerados sensÃveis na cidade de DÃli, de modo a prevenir e a reprimir a situação criminosa de indivÃduos que está a causar instabilidade social”, ainda segundo o texto publicado hoje no Jornal da República.
O despacho entrou em vigor com a data de hoje e termina à s 23:59 do dia 13 de setembro de 2022, “podendo ser renovado caso subsistam comportamentos desviantes relacionados com este assunto”, estabelece o mesmo.
APL (ASP) // VM
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