
Damasco, 10 jan 2026 (Lusa) – As autoridades sÃrias anunciaram hoje estar a transferir combatentes entrincheirados no bairro curdo de Sheikh Maqsoud, em Alepo, para a zona autónoma curda mais a leste, depois de terem assumido o controlo do bairro.
A televisão estatal sÃria indicou que “combatentes estavam a ser transferidos de autocarro” para o nordeste.
Os bairros de Sheikh Maqsud e de Ashrafieh têm sido, nos últimos dias, palco de sangrentos combates entre as forças governamentais e as milÃcias curdo-árabes das Forças Democráticas da SÃria (FDS) e da força curda Asayish.
“Trata-se de uma operação limitada e especÃfica, com um âmbito e objetivos restritos”, assegurou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da SÃria, em comunicado, acrescentando que foi realizada “em conformidade com o compromisso do Estado sÃrio para com a transparência, o Estado de Direito e os princÃpios da não-discriminação”.
O objetivo, sublinhou o Governo, é “restaurar a ordem pública e proteger os civis”.
O Ministério acusou as Unidades de Proteção Popular (YPG, a espinha dorsal das FDS) de “violações repetidas dos acordos de segurança” inicialmente assinados com o Governo sÃrio em abril de 2015.
As FDS e a autoridade polÃtica do nordeste da SÃria, por outro lado, acusaram Damasco de não terem feito o mÃnimo esforço para satisfazer as suas exigências de federação.
Os confrontos começaram no inÃcio desta semana, depois de o lÃder das FDS, Mazlum Abdi, se ter reunido em Damasco com as autoridades governamentais no âmbito das negociações para integrar as forças da aliança curda sÃria no exército do paÃs, medida que era suposto ter acontecido até final de 2025.
A medida faz parte de um acordo assinado a 10 de março entre Damasco e os curdos sÃrios para procurar uma solução para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da SÃria, mas o processo tem sofrido vários contratempos e está atualmente num impasse.
A operação no bairro curdo de Alepo não implica, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros sÃrio, “qualquer mudança demográfica, nem é dirigida contra qualquer grupo populacional por razões étnicas ou religiosas”, visando apenas “grupos armados especÃficos que operam fora de qualquer estrutura de segurança acordada”.
O Governo sÃrio adiantou ainda que os curdos são “parte integrante da comunidade nacional” e deu “a máxima prioridade à proteção da população civil” na operação, abrindo corredores humanitários seguros.
Agora, explicou, vai começar “a inspecionar as áreas afetadas e a remover os vestÃgios explosivos da guerra como etapa preparatória para o restabelecimento da normalidade na vida civil”.
No entanto, as FDS asseguram que os combates em Sheikh Maqsud ainda estão em curso e que o recente anúncio do exército sÃrio sobre o cessar-fogo é um engano.
As FDS alegaram ainda que o exército está a bombardear um hospital local com doentes no interior, tendo o porta-voz, Farad Shami, acusado as forças sÃrias de executarem “a sangue frio” uma combatente, cujo corpo sem vida foi atirado da janela do segundo andar num “ato selvagem que expõe um completo desrespeito pela humanidade e pelas leis da guerra”.
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