
São Tomé, 04 abr 2026 (Lusa) – O Governo são-tomense suspendeu a reitoria da Universidade de São Tomé e Príncipe e empossou hoje uma comissão de gestão, alegando “situação de instabilidade institucional prolongada, marcada por conflitos internos” entre a direção e os docentes e não docentes.
“Verifica-se que, na USTP [Universidade de São Tomé e Príncipe], prevalece uma situação de instabilidade institucional prolongada, marcada por conflitos internos, disfunções na governação e dificuldades no funcionamento regular dos seus órgãos há mais de um ano, período durante o qual o Governo esperava que os órgãos internos desse centro de ensino superior pudessem resolver a disfuncionalidade”, lê-se na deliberação do executivo a que a Lusa teve hoje acesso.
O documento foi aprovado na 35ª reunião de Conselho de Ministros, realizada na quinta-feira, e em resposta às reivindicações de um grupo de docentes e não docentes da USTP que ameaçaram entrar em greve a partir de segunda-feira se o Governo não demitisse a reitoria da universidade.
Segundo a deliberação do Conselho de Ministros, “a situação agravou-se em consequência de um persistente desentendimento institucional entre a reitoria e os presidentes das unidades orgânicas, comprometendo a coordenação académica, administrativa e científica da instituição”.
“Acresce que o caderno reivindicativo apresentado pelo corpo docente e não docente e as reuniões de auscultação realizadas pelo Governo para a resolução pacífica da controvérsia instalada na USTP evidenciaram um quadro de insatisfação generalizada e de disfunções estruturais que afetam o normal funcionamento da Universidade”, lê-se na deliberação.
Neste sentido, o Governo suspendeu a reitora, Eurídice Helga Aguiar, o conselho da universidade, o conselho de estratégia e Governo, bem como o vice-reitor, os pró-reitores, a administradora geral e o coordenador interino do Instituto Superior de Ciências de Saúde Victor Sá Machado.
Para assegurar o funcionamento da USTP, o Governo nomeou e empossou hoje uma comissão de gestão, com mandato de 15 meses, que é presidida pelo professor doutor Salustino David dos Santos Andrade, com as funções interinas de reitor, tendo como primeiro vice-presidente o professor Doutor André Ferdnand Takounjou Ngueho, interinamente vice-reitor, além de outros elementos.
Segundo a deliberação do Conselho de Ministros, “a comissão deve apresentar, no prazo de 120 dias, o plano de realização das eleições”.
Na semana passada, a reitoria da Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP) assegurou que tem implementado uma “visão dinâmica” e mudanças na instituição, refutando as acusações de professores que alegam crise na universidade e exigiram ao Governo a demissão da direção.
“É normal que em qualquer processo de mudança haja alguma resistência e nós trouxemos uma visão muito dinâmica para esta universidade. Elaborámos um plano estratégico bastante ambicioso”, disse a reitora da USTP, Eurídice Helga Aguiar, a primeira mulher eleita reitora da USTP em 2023.
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