
Lisboa, 03 out 2025 (Lusa) — O Governo pretende alterar a legislação que impõe o visto prévio do Tribunal de Contas, designadamente quanto a concursos públicos e licenciamentos, passando o crivo dos juÃzes para uma fase ‘a posteriori’ das decisões polÃticas.
Em entrevista ao jornal diário Público, o ministro-adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, assume ser seu desejo “uma profunda reforma (…) como nunca foi feita (…) e não é feita em menos de quatro anos”.
“Há um conjunto de diagnósticos que estão feitos, até pelos portugueses em geral. Basta perguntar à s pessoas. Ninguém está satisfeito com os tempos de atendimento. Quanto ao TdC (Tribunal de Contas), há uma parte da demora da decisão pública — na contratação pública e das decisões — que depende do visto prévio do TdC”, afirmou.
O ministro advogou que “deve reduzir-se a fiscalização prévia no TdC e aumentar a fiscalização ‘a posteriori’ porque isso é que é próprio de um tribunal” até para “não condicionar a decisão polÃtica”.
“O Governo gostava de contar com o apoio de todos. O que estamos a fazer é um programa de simplificação e digitalização da economia e do Estado. Estamos a procurar simplificar a vida das pessoas e das empresas. Quem é que pode estar contra isto? O Governo não tem nenhum programa de despedimentos na administração pública”, disse Gonçalo Matias.
Relativamente ao ‘puxão de orelhas’ por parte do Presidente da República, que avisou recentemente para o perigo de “terraplanar entidades”, designadamente a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), o ministro recusou comentar.
Gonçalo Matias comentou ainda as alterações feitas ao Regime JurÃdico de Urbanização e Edificação (RJUE, considerando que “as pessoas estavam 10 anos com uma espada sobre a cabeça, que nunca sabiam se a sua obra ia ou não ser destruÃda” e sublinhando que “as câmaras têm de fazer um trabalho de fiscalização muito mais rápido”.
O ministro-adjunto e da Reforma do Estado prometeu igualmente levar a cabo a “limpeza” dos cerca de 400 órgãos consultivos, identificados pelo Conselho Económico e Social (CES).
“Estamos a trabalhar nessa lista. Não são só 400, são mais. O levantamento não estava pronto. Temos um longo trabalho de ourivesaria jurÃdica”, previu.
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