
Lisboa, 31 out 2019 (Lusa) — A lÃder parlamentar do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) salientou hoje que há “ainda um importante caminho a fazer” para assegurar o futuro do paÃs, pelo que Portugal “precisa de estar norteado por uma visão estratégica, multidisciplinar e interministerial”.
“Não podemos deixar de destacar a importância de o Governo ter convergido com o PAN em algumas matérias, apesar de haver ainda um importante caminho a fazer”, afirmou Inês Sousa Real.
A deputada, eleita pelo cÃrculo de Lisboa, falava na intervenção de encerramento do seu partido no debate sobre o Programa do XXII Governo Constitucional, que decorreu na quarta-feira e hoje na Assembleia da República, em Lisboa.
“O paÃs precisa de estar norteado por uma visão estratégica, multidisciplinar e interministerial, que dê resposta à s necessidades efetivas das pessoas, seja em matéria de saúde, habitação, transportes, direitos laborais, inclusão e não discriminação, entre outras”, assinalou, tendo elencado algumas medidas que o seu partido defende.
Notando que um dos “grandes desafios dos próximos quatro anos vai ser adequar as decisões polÃticas à crise climática”, a deputada defendeu uma “mudança de paradigma do modelo atual” em que a sociedade vive, “assente numa perspetiva extrativista linear, para um novo modelo sustentável com a necessária transição energética e descarbonização”.
Na opinião de Inês Sousa Real, é necessário refletir a forma como o paÃs olha para os recursos naturais, que, avisa, “são finitos”.
“Esta mudança de modelo económico deveria estar plasmada em todo o programa e, sobretudo, espelhar-se no Orçamento [de Estado] que há de ser discutido nesta Assembleia, discussão essa na qual o PAN participará de forma muito ativa e construtiva”, assegurou.
Apesar de se congratular com a antecipação do encerramento das centrais termoelétricas de Sines e do Pego, medida anunciada pelo primeiro-ministro na tomada de posse do elenco governamental, a lÃder parlamentar defendeu que “não faz qualquer sentido” que “se mantenha a intenção de explorar petróleo”.
“Ouvimos muitas vezes que não há planeta B, pois bem, também não há Portugal B. Da nossa parte, tudo faremos para impedir poços de petróleo no nosso paÃs”, assinalou Inês Sousa Real.
Sobre a saúde, a lÃder parlamentar do PAN considerou incompreensÃvel “como os responsáveis de sucessivos governos conseguem justificar a decisão polÃtica que passou pelo desinvestimento na saúde nestas últimas duas décadas, com o prejuÃzo da saúde de milhares de pessoas e das condições de trabalho dos profissionais do setor, panorama que se agudiza no caso das assimetrias regionais”.
“Paralelamente a este desinvestimento, surgem as questões relacionadas com a pobreza, o envelhecimento, a distribuição demográfica no território que estão na base de sérias desigualdades que o PAN considera urgente combater”, destacou.
Advogando que “as desigualdades de rendimento e as disparidades na distribuição da riqueza são um obstáculo sério ao desenvolvimento inclusivo e à justiça social”, a parlamentar elencou alguns dos desafios que o Governo enfrenta.
“A precariedade dos empregos, o facto do elevador social estar mais do que avariado em Portugal, as diferenças de oportunidades, a dificuldade diária de alguém que tem um doente na famÃlia e que passa dias e dias nos hospitais sem resposta, ou de quem se quer dirigir a um serviço administrativo que só existe a 50 quilómetros de distância, são alguns dos desafios que temos que resolver”, sustentou.
O PAN defendeu também, “para uma sociedade mais justa”, que é preciso dar uma “especial atenção à s “questões e do combate à corrupção”, à precariedade laboral, à valorização laboral e a polÃticas que permitam “garantir a necessária renovação geracional”.
Também “em matéria de proteção animal, o Programa do Governo continua aquém do que é necessário fazer”, referiu Inês Sousa Real, sublinhando ser necessárias maior ambição e capacidade de diálogo e de cooperação.
Por tudo isto, “o PAN reitera a sua vontade e disponibilidade para trabalhar com os partidos que compõem este hemiciclo, procurando encontrar pontes de convergência que contribuam para fazer avançar o paÃs e a construção de uma sociedade mais justa, humana e sustentável”.
FM // JPS
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