
Nampula, Moçambique, 03 set 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano vai utilizar num novo mecanismo de financiamento os fundos reembolsados do Projeto de Financiamento de Empreendimentos Rurais (REFP), que vigorou entre 2022 e 2025, durante um período inicial de cinco anos, foi hoje anunciado.
“A visão do Governo é clara: cada metical aplicado deve produzir impacto no presente e, através da sua recuperação, criar capacidade para financiar outros empreendedores no futuro. Trata-se de transformar recursos de desenvolvimento em capital que circula, se renova e alcança sucessivamente mais beneficiários, ou seja, mais moçambicanos, mais jovens e mais mulheres”, disse o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá.
O governante falava em Nampula, durante o seminário de divulgação da Linha de Financiamento de Empreendimentos Rurais (LFER), um novo mecanismo a ser operacionalizado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com recursos disponibilizados através do Moza Banco.
Segundo Valá, a criação da LFER visa preservar o legado do REFP, transformando-o numa plataforma financeira sustentável, de âmbito nacional e com capacidade para continuar a apoiar a economia rural para além do ciclo de vida de um projeto, ampliando o seu impacto, abrangência e sustentabilidade.
Os recursos provêm dos reembolsos da REFP, encerrada em setembro de 2025, que canalizou cerca de 726 milhões de meticais (9,9 milhões de euros) para nove instituições financeiras participantes.
“Os resultados alcançados e as lições extraídas ensinaram que estes recursos não deveriam permanecer inativos nem esgotar-se com o encerramento do projeto. Por essa razão, o Governo de Moçambique e o FIDA acordaram na reutilização dos montantes recuperados através dos reembolsos, estabelecendo um mecanismo público e rotativo para financiar novas operações durante um período inicial de cinco anos e, mediante uma gestão profissional e criteriosa, nos ciclos subsequentes”, explicou.
Segundo o ministro, a nova linha de financiamento pretende fazer chegar crédito, de forma adequada, sustentável, responsável e a custos comportáveis, aos produtores, empreendedores e empresas que geram bens e serviços, emprego e rendimento no meio rural.
Valá esclareceu que a LFER será direcionada para microbancos, operadores de microcrédito, instituições financeiras de base comunitária e instituições de desenvolvimento local elegíveis, que poderão ampliar a oferta de financiamento a atividades económicas com impacto no meio rural.
O ministro acrescentou que o fundo está igualmente aberto a micro, pequenas e médias empresas, e empresas agregadoras que demonstrem viabilidade económica e financeira e capacidade para gerar benefícios nas comunidades onde operam.
Nesse sentido, alertou que a recuperação do crédito não é apenas uma obrigação contratual, mas também uma condição essencial para que os recursos possam continuar a apoiar, no futuro, outros produtores, empresas e comunidades, apelando à responsabilidade das entidades que venham a beneficiar do financiamento.
“A sua abrangência nacional permitirá apoiar instituições financeiras, produtores, micro e pequenas empresas rurais, empresas agregadoras e de fomento, instituições financeiras de base comunitária e instituições de desenvolvimento local”, concluiu Salim Valá.
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