
Maputo, 27 mar 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano refutou hoje uma crise de combustíveis no país, indicando que está a decorrer o processo normal de reposição de ‘stock’, o que eleva para mais 26 dias a disponibilização de gasolina e 17 de gasóleo.
Em comunicado, a Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis esclarece que o país tem assegurado um contrato de fornecimento de combustíveis até maio de 2027, sendo que as importações feitas quinzenalmente estão a decorrer normalmente, “sem qualquer disrupção”.
“A acrescer ao ‘stock’ de 12 dias reportado no dia 24 de março, decorre o processo normal de reposição, culminando com as entregas previstas para 30 de março em Maputo, resultando num adicional de 26 dias de gasolina e 17 dias de gasóleo. Adicionalmente, a janela de importações prevista para o mês de abril, já confirmada, assegura as necessidades para os próximos meses”, refere.
A capital moçambicana e a província de Maputo têm registado enchentes nas bombas de combustíveis, com filas enormes de automobilistas que tentam abastecer, após reclamações de alegada crise face ao conflito no Médio Oriente.
Cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique a partir do Médio Oriente transitam pelo Estreito de Ormuz, encerrado pelo Irão devido ao conflito na região.
No comunicado, o Governo indica que a compra de elevadas quantidades de combustíveis face à alegada crise está a causar “alguma pressão nos ‘stocks'” existentes nos postos de abastecimento, “trazendo constrangimentos ao longo da cadeia de distribuição”, pelo que pede calma e recomenda a não constituição de reservas domésticas que contribuem para essa pressão.
Também a Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (Amepetrol) garantiu, em comunicado, que “não há situação de rutura iminente de combustíveis” no país, assegurando que o abastecimento está a ser gerido de forma contínua e coordenada entre os intervenientes.
“Importa esclarecer que já há produtos nos terminais oceânicos em processo normal de libertação, não havendo falta de combustíveis no país”, refere.
Esta associação adianta que, para reduzir a pressão nos postos de abastecimento, “foi autorizada a operação dos terminais oceânicos para amanhã, sábado, 28 de março, permitindo aumentar a expedição de produto para o mercado de retalho”.
A Amepetrol pede que se mantenha a normalidade no consumo, evitando comportamentos que possam gerar “constrangimentos desnecessários” à rede de distribuição.
Na terça-feira, o Governo garantiu que “não há sinais” que indiquem uma eventual subida dos preços dos combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente, mostrando-se disponível para dialogar com intervenientes do setor para mitigar impactos na economia.
“O nosso Governo está a acompanhar regularmente, atentamente e em contacto não só com outros países, mas com as suas embaixadas e, neste momento, não há sinais de que poderá haver um agravamento [de preços de combustíveis], tendo em conta que existem algumas reservas e também o que estava previsto que chegasse ao país vai chegar, não temos informações contrárias”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá.
Valá disse não haver elementos que apontem para uma eventual subida de preços dos combustíveis devido ao conflito no Médio Oriente, voltando a frisar que com estes produtos disponíveis nos terminais oceânicas, Moçambique tem reservas suficientes para abastecer o mercado, prevendo a chegada de navios entre 26 e 30 de março.
O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, garantiu, em 10 de março, que Moçambique tinha 75 mil toneladas de combustíveis, quantidade considerada suficiente até princípios de maio, adquirida a preços anteriores ao início do conflito no Médio Oriente.
Amílcar Tivane disse ainda que Moçambique tem também nos terminais oceânicos cerca de 85 mil toneladas de combustíveis, que podem ser usados em caso de necessidade.
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