
Maputo, 19 mai 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano pretende avançar com um Sistema de Transporte Rápido Autónomo em Maputo, através de uma parceria com privados, incluindo uma linha de 30 quilómetros entre a capital e Boane.
A medida consta de um edital publicado hoje pelo Ministério dos Transportes e Logística e pela Agência Metropolitana de Transportes de Maputo para selecionar uma empresa de assistência técnica à contratação da entidade que vai desenhar e operar o sistema ART (Autonomous Rapid Transit).
A empresa a selecionar posteriormente, segundo o edital, terá de apresentar a conceção detalhada do projeto, fornecer o material circulante e sistemas tecnológicos, construir as infraestruturas, implementar o sistema ART — comummente uma solução híbrida de transporte público urbano semelhante a metro de superfície, cruzando comboio e autocarro articulado – e garantir operação inicial, transferida depois, progressivamente, para o Governo.
O edital deste concurso, que permite a manifestação de interesse até 03 de junho, especifica, nomeadamente, a linha 2 desta rede, ligando Maputo a Matola, as duas maiores cidades moçambicanas, e depois Boane, numa extensão de aproximadamente 30 quilómetros.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu em 15 de maio “grandes desafios” na mobilidade urbana em Maputo, apesar da recente entrega de 190 autocarros a gás, avançando que decorrem esforços para a construção do metro de superfície.
“Em relação à mobilidade urbana da cidade de Maputo, nós entregamos cerca de 200 viaturas (…) na segunda-feira passada, mas temos consciência que não é tudo. Ainda continuam grandes desafios da mobilidade urbana na cidade de Maputo”, disse.
Segundo o chefe de Estado moçambicano, o Governo está agora a trabalhar “a todo o gás” para que as obras do metro de superfície arranquem em breve, no âmbito do programa integrado de mobilidade urbana para a capital, que prevê também soluções complementares recorrendo a Autocarros de Trânsito Rápido (BRT, na sigla em inglês) e outros sistemas.
“Nós temos consciência de que os ‘machimbombos'[autocarros], BRT, incluindo, portanto, o metro de superfície, os três sistemas a trabalharem juntos, aí, sim, (…) podemos considerar a mobilidade urbana da cidade de Maputo resolvida”, afirmou.
Antes, em 11 de maio, Daniel Chapo anunciou que Moçambique vai lançar este ano um Programa Nacional de Massificação de Gás Veicular, ao entregar mais de 190 novos autocarros movidos a gás, garantindo que esse recurso, moçambicano, já muda a vida do povo.
“Todos estes autocarros funcionam a gás natural, para minimizar o preço. Isto significa que Moçambique começa, de forma cada vez mais concreta, a transformar os seus próprios recursos naturais em soluções para reduzir o custo de vida do seu povo”, sublinhou Chapo, acrescentando: “O gás é nosso e para nós deve servir”.
Tratou-se da entrega de 190 autocarros movidos a gás, que vão servir 2,8 milhões de habitantes da cidade e província de Maputo, incluindo 40 para reforçar o transporte escolar, juntamente com outros 10 idênticos que seguiram para a província de Inhambane, também no sul do país.
Estas viaturas foram colocadas na Área Metropolitana de Maputo, com quase três milhões de habitantes, numa altura de crise de combustíveis em Moçambique, com a subida de preços, a primeira mexida em mais de um ano, devido às consequências do conflito no Médio Oriente.
O preço do gasóleo subiu em 07 de maio 45,5% e o da gasolina 12,1% por litro, com o Governo a justificar a revisão em alta dos combustíveis com os preços praticados a nível internacional.
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