Governo moçambicano critica greve dos profissionais de saúde por “castigar concidadãos”

Maputo, 10 fev 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano criticou hoje os profissionais de saúde em greve pelo pagamento total do 13.º salário, referindo que, ao não atender doentes, estão a “castigar os seus concidadãos” e pedindo diálogo face à paralisação que “traz prejuízos”.

“Se for verdade que os colegas não estão a tratar os cidadãos, estão a castigar os cidadãos, estão a castigar os seus irmãos, aos seus concidadãos, porque somos todos moçambicanos, e estão a violar o seu juramento, um compromisso, porque esta coisa de profissão tem a ver com compromisso”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, ao responder a perguntas de jornalistas sobre a greve dos profissionais de saúde.

Em causa está uma greve dos profissionais de saúde moçambicanos iniciada em 16 de janeiro, com duração de 30 dias prorrogáveis, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 – contra os 40% aprovados pelo Governo a pagar até fevereiro – e melhores condições de trabalho no setor.

Em declarações aos jornalistas no fim do Conselho de Ministros, Impissa disse que o Governo está a acompanhar com preocupação informações sobre a greve no setor da saúde, lembrando aos profissionais que a paralisação é um direito, mas não é superior a outros direitos fundamentais, quando se coloca em causa a dignidade humana.

“A greve pressiona, traz prejuízos e ninguém está interessado em prejuízos de uma greve, nem aquele que a provoca, nem aquele que a faz e nem aquele que é contra ela, então acho que não é ajustável, aconselhável, não é defensável. Então, sugerimos a todos os colegas que a greve é uma última instância de uma situação em que as pessoas não conseguem conversar sobre nada”, disse o porta-voz do Governo.

Impissa voltou a apelar ao diálogo com os profissionais da saúde, lembrando que este grupo tem recebido salários mensalmente, apesar das falhas no pagamento de horas extras e outros subsídios.

“A indicação que temos é que o ministro do setor tem estado a conversar com os colegas, tem estado a interagir, tem estado a fazer este exercício e tem que ser nesta base de conversa”, frisou.

Em 26 de janeiro, a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) afirmou que a greve em curso é para manter, apesar das inundações em mais de 200 unidades sanitárias, acusando o Governo de ameaças para a retoma das atividades.

Entre as condições imediatas para que se pare com a greve estão o pagamento do ordenado [13.º salário] por completo e a colocação do material de trabalho nas unidades de saúde do país, além de um trabalho conjunto entre a associação e o Governo, visto que os profissionais de saúde é que têm o real controlo das unidades sanitárias, disse antes o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave.

A decisão do pagamento parcial do 13.º salário foi tomada em janeiro em reunião do Conselho de Ministros, em Maputo, e “depois de uma análise meticulosa dos dados macro financeiros”, disse o secretário de Estado do Tesouro de Moçambique, Amílcar Tivane, reconhecendo a redução face ao pagamento feito em fevereiro de 2025, de 50% do 13.º salário de 2024.

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