
Lisboa, 02 nov 2026 (Lusa) — O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou hoje que o Governo ouve quem se manifesta, mas sublinhou que legisla quer para essa “minoria”, quer para “a maioria silenciosa” que está em casa e também sofre.
“É com enorme preocupação que olho para as manifestações na rua (…) e é com sentido de Estado que oiço quem se manifesta”, garantiu no parlamento, em resposta a perguntas da bancada do PS, numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública para discutir na especialidade a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Antes de assegurar que ouve os cidadãos que se têm manifestado nas últimas semanas no país, Pinto Luz respondeu ao Chega que o executivo tanto legisla para quem sai à rua quanto para para quem não o faz.
“Hoje, uma minoria do país manifesta-se, mas eu não me esqueço da maioria que está silenciosa. Porque há muita gente que não quer ir para a rua, mas continua a sofrer. E nós temos consciência disso”, disse Pinto Luz.
O ministro usou a expressão “maioria silenciosa” mais do que uma vez durante a primeira hora de debate para se referir a quem não tem marcado presença nas acampadas de Lisboa e Porto e nas manifestações.
“Há uma maioria silenciosa em casa, que também sofre, que também procura casa e não tem”, disse.
“Não estamos só a legislar, a ter que encontrar soluções para aqueles que se manifestam nas ruas. Temos que legislar também para aqueles que estão em casa e que de uma forma silenciosa todos os dias da sua vida sofrem. A nossa geração tem essa obrigação. De outra forma, entregaremos um mundo pior do que [aquele] que recebemos dos nossos pais”, afirmou.
O ministro foi questionado pelo deputado do Chega Francisco Gomes sobre se o Governo está disponível para apoiar uma redução do limite até ao qual se considera uma haver uma “renda moderada”, dos atuais 2.300 euros para 1.500 euros, alteração a que Pinto Luz não abriu a porta.
O ministro não rejeitou de forma taxativa a proposta, mas defendeu a iniciativa do Governo.
Em resposta ao deputado, começou por responder: “Não se esqueça que este Governo facilitou e agilizou o processo da renda acessível. A renda acessível em Lisboa, que são 20% abaixo da mediana, anda na casa dos 1.600 euros. E não é IRS a 10%, é IRS a zero. E a renda acessível não tem taxa de esforço”.
De seguida, defendeu o resultado da atual medida, em que os senhorios com uma renda até 2.300 euros podem beneficiar de uma taxa de IRS de 0%.
“Baixar dos 2.300 para os 1.500 quando eu já tenho um patamar da renda acessível (…) Se for para Bragança, um T0 são 200 e tal euros e tem IRS a zero. Tentarmos atirar para os olhos das pessoas uma realidade que não existe”, vincou.
“Só quem não percebe minimamente de economia pode querer dizer que um senhorio que tem contratualizado 2.100 euros com o seu inquilino tem um incentivo para subir para 2.300 euros”, afirmou, ressalvando que, quando se referia a desconhecimentos de economia, não se referia ao parlamentar do Chega.
“Um senhorio com uma renda de 2.600 euros tem todos os incentivos para baixar para 2.300”, beneficiando do ganho fiscal, contrapôs.
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