
Jerusalém, Israel, 10 nov 2025 (Lusa) — O Governo israelita atualizou hoje as fronteiras de 13 colonatos que ocupam território palestiniano na Cisjordânia, comunidades ilegais ao abrigo do direito internacional, o que facilita o seu crescimento, anunciou a imprensa local.
Segundo o jornal The Times of Israel, a decisão foi avançada pela Administração de Colonatos de Israel, parte do Ministério da Defesa, mas sob a influência do ministro das Finanças de extrema-direita, Bezalel Smotrich, que também dirige a agência.
“Isto é o sionismo na sua essência, é uma responsabilidade nacional e é justiça histórica para a geração de crianças que estão a regressar para construir o seu país”, justificou Bezalel Smotrich, citado pelo jornal.
O estabelecimento destas fronteiras facilita o crescimento destes aglomerados e, no caso daqueles que foram recentemente constituídos, contribui para o seu processo de legalização por Israel.
Os povoados afetados são: Ahiya, Harasha, Migron, Nofei Prat, Adei Ad, Shvut Rachel, Sa Nur, Yair Farm, Tel Menashe, Maoz Tzvi, Givonit, Ir Hatamarim e Gadi.
Destes, seis estão ainda a ser construídos ou eram postos avançados recentemente constituídos. Estes “postos avançados” são o início de um colonato e geralmente consistem apenas em estruturas improvisadas.
O Governo israelita aprovou, em maio, o seu estabelecimento como colonatos, quer regularizando os postos avançados existentes, apesar da sua ilegalidade, quer incentivando a sua construção.
Entre os 13 colonatos encontra-se Sa Nur, no norte da Cisjordânia, um dos colonatos evacuados no âmbito do plano de retirada de Gaza de 2005.
Sa Nur ainda não foi repovoado, mas há planos em curso para o restabelecer.
Israel abriu, este ano, um concurso para a construção de 5.667 casas em colonatos ilegais, um aumento de 48% em relação ao recorde anterior de 2018, o que acrescentaria cerca de 25.000 novos colonos à Cisjordânia ocupada.
Toda a ocupação israelita da Cisjordânia, incluindo os colonatos e os postos avançados, é ilegal ao abrigo do direito internacional, e o Tribunal Internacional de Justiça pediu a Israel, no verão de 2024, que retirasse todos os seus colonos do enclave.
O anúncio de hoje acontece depois de, no sábado, pelo menos 11 pessoas terem ficado – incluindo paramédicos e jornalistas -, num ataque de colonos israelitas à aldeia palestiniana de Beita, perto de Nablus, no norte da Cisjordânia.
Segundo relatos da organização humanitária Crescente Vermelho e dos serviços de saúde palestinianos, os colonos lançaram um ataque contra um grupo de mais de 20 palestinianos e ativistas israelitas que participavam na apanha da azeitona na cidade.
A porta-voz do Governo israelita alegou, no domingo, que o ataque foi uma resposta a “numerosos ataques terroristas contra judeus” naquele território.
“Esta é a nossa terra ancestral e, lamentavelmente, a cobertura mediática é desproporcional, não recebe a atenção que merece, nem os ataques contra os judeus são noticiados”, referiu Shosh Bedrosian numa conferência de imprensa, admitindo que “toda a atividade ilegal deve ser condenada e as forças de segurança, como é evidente, devem intervir”.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), outubro foi o mês em que foram registados mais ataques de colonos desde 2013, ano em que começou a ser feita esta contabilização. No total, foram registados 536 ataques em outubro.
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