
Lisboa, 15 mai 2026 (Lusa) — O Governo da Guiné-Bissau reuniu hoje vários parceiros internacionais num “diálogo de alto nÃvel” à procura de estratégias para atenuar os impactos no paÃs da atual crise global.
No discurso da abertura do encontro, que junta numa unidade hoteleira de Bissau representantes de diversas agências das Nações Unidas, representações diplomáticas e instituições da cooperação multilateral e bilateral, o primeiro-ministro guineense, IlÃdio Vieira Té, afirmou que a iniciativa representa “um momento de elevada importância polÃtica, estratégica e institucional” para a Guiné-Bissau.
“A crise internacional atualmente em curso, marcada pelas tensões envolvendo os Estados Unidos da América, Israel e o Irão, bem como pelas suas repercussões globais sobre os mercados energéticos, financeiros e alimentares, afeta de forma particularmente severa paÃses com economias frágeis, fortemente dependentes das importações e ainda confrontados com limitações estruturais históricas”, apontou o chefe do Governo guineense.
No discurso transmitido pela comunicação social local, IlÃdio Vieira Té assinalou que a Guiné-Bissau “não está isolada” desses impactos, pelo que entendeu ser importante criar um “espaço estruturado de reflexão, concertação e mobilização de soluções”.
A Guiné-Bissau “escolheu não permanecer passiva” perante riscos que ameaçam o bem-estar das populações, sublinhou o primeiro-ministro, apontando para “profundas tensões geopolÃticas, volatilidade económica e perturbações nas cadeias de abastecimento”, que se fazem sentir com o aumento dos preços da energia e de produtos alimentares.
O chefe do Governo notou que as ameaças atuais colocam em causa o próprio processo de desenvolvimento da Guiné-Bissau, por isso, disse, o Governo de transição escolheu antecipar, dialogar, coordenar e agir.
Vieira Té salientou que a meta do diálogo com os parceiros internacionais é transformar as recomendações, que saÃrem desta iniciativa, em ações concretas que possam gerar resultados, evitar fragmentação, reforçar a coordenação institucional, alinhar prioridades, recursos, responsabilidades e construir verdadeiro mecanismo de seguimento.
“O Governo da Guiné-Bissau continua empenhado em aprofundar as reformas económicas e institucionais, melhorar a governação pública, reforçar a transparência, consolidar a disciplina orçamental e criar melhores condições para a confiança dos parceiros e dos investidores”, enfatizou Vieira Té.
O chefe do Governo de transição afirmou ainda que a Guiné-Bissau “deseja afirmar-se como um parceiro sério, responsável e comprometido com o diálogo, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável” que não se limitará a gerir emergências.
IlÃdio Vieira Té observa que o paÃs “pretende fortalecer a segurança alimentar, melhorar o acesso à energia, reforçar a proteção social, consolidar a estabilidade macroeconómica” através de soluções sustentáveis de adaptação climática.
Em nome do povo e do Governo guineense, o primeiro-ministro de transição agradeceu “de forma especial” ao Sistema das Nações Unidas pelo apoio polÃtico e técnico pela organização do encontro.
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*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***
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