Governo é “muito paciente” com a oposição que “diz muitas asneiras e muitos disparates”

Castelo de Vide, Portalegre, 27 ago 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro considerou hoje que o Governo tem sido “muito paciente” com a oposição, que acusa de “dizer muitas asneiras e muitos disparates”, e defendeu que trabalhar será a resposta às críticas e “pedidos de distração”.

Luís Montenegro respondeu hoje durante hora e meia, por videoconferência a partir da sede nacional do PSD, a perguntas feitas pelos participantes na Universidade de Verão do partido, iniciativa de formação política de jovens.

Questionado como pretende continuar a negociar com PS e Chega apesar das várias “coligações negativas” entre os dois partidos no parlamento, Montenegro começou por salientar total respeito pela oposição e reclamou o mesmo tratamento desta para com o Governo.

“Direi que talvez também tenham que ser pacientes connosco, mas nós somos muito pacientes com a oposição. A oposição diz muitas asneiras e muitos disparates, mas a oposição faz parte do sistema, nós temos consideração pela oposição e cá estaremos para nunca prejudicar aquilo que é mais importante do que os partidos e os líderes partidários dos partidos das oposições”, afirmou.

Montenegro prometeu “tolerância democrática” em relação à oposição, a quem atribuiu o papel de “ilustrar e mostrar aquilo que está mal”, sem violar a esfera de ação do executivo.

O chefe do Governo lamentou os vários entendimentos de PS e Chega no parlamento nos últimos anos e, sem se referir às negociações orçamentais, apelou a que as oposições não prossigam com “decisões a ‘la carte'”.

“É possível fazer oposição, apresentar alternativas, sem invadir a esfera que é do Governo”, disse.

Montenegro foi também questionado como mantém a energia para continuar perante os “pedidos de demissão constantes”, assegurando que o Governo irá continuar a defender as suas convicções.

“Eu diria que nós temos uma fibra, temos uma filosofia que é intocável. Independentemente da espuma dos dias, de praticamente se asfixiar o debate apenas com a coisa que correu mal, com o acidente, o incidente, com o caso, nós temos a convicção profunda que a nossa responsabilidade é para continuar a executar as nossas políticas”, disse.

E, em jeito de resumo, disse responder às críticas e “pedidos de distração” trabalhando, retomando o seu ‘slogan’ de campanha nas legislativas de 2025, “Deixem o Luís trabalhar”.

“Como é que nós vencemos o negativismo, o pessimismo daqueles que querem deixar tudo na mesma? Trabalhando. Como é que nós respondemos àqueles que fazem esses ataques sem fundamento, sem razão? Trabalhando”, afirmou.

Ao longo de hora e meia, de pé e atrás de um púlpito a partir da sede nacional do PSD, respondeu a perguntas em áreas que foram da imigração – onde se referiu ao “imponente número de imigrantes” que Portugal já tem – à habitação, congratulando-se por já ter sido atingido o número de 31 mil novas habitações entregues no âmbito do PRR.

Perante os jovens participantes da Universidade de Verão, Montenegro enumerou algumas das medidas do executivo PSD/CDS-PP nos últimos dois anos e enfatizou as que foram dirigidas a esta faixa etária.

“Eu gosto muito dos jovens, temos políticas para a juventude como nunca nenhum Governo tomou até hoje, nem os nossos”, frisou.

Quando desafiado por uma aluna a escolher “uma única reforma se tivesse a certeza que ia ser aprovada”, respondeu: “Agora eu dizia que era a da Segurança Social e abria o telejornal”, disse, provocando risos na sala, para logo em seguida dizer ser incapaz de optar apenas por uma área.

 

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