
Riade, 03 jan 2026 (Lusa) – O Presidente do Iémen, Rashad Mohamed al-Alimi, confirmou que o Governo reconhecido internacionalmente pediu à vizinha Arábia Saudita que acolha uma cimeira com os separatistas do sul do Iémen.
“Em conformidade com a responsabilidade nacional e em resposta ao apelo de cidadãos e setores dos governos do sul, o Presidente Al-Alimi solicitou ao reino irmão da Arábia Saudita (…) que generosamente sedie e patrocine esta conferência na cidade de Riade”, referiu um comunicado publicado no portal oficial da Presidência.
Na sexta-feira, os separatistas do Conselho de Transição do Sul (STC) anunciaram o inÃcio de um processo de dois anos rumo à independência do Sul, que inclui um referendo a 02 de janeiro de 2028.
Al-Alimi admitiu que “a causa do Sul é justa”, mas defendeu que a solução do conflito “não pode ser monopolizada por uma única parte” nem “reduzida a medidas unilaterais ou a reivindicações de representação exclusiva”.
A Arábia Saudita convidou hoje “todas as fações do Sul [do Iémen] a participarem ativamente na conferência”, que visa encontrar “soluções justas (…) que satisfaçam as legÃtimas aspirações do povo “, afirmou a diplomacia saudita.
O lÃder iemenita sublinhou a disponibilidade para dialogar no âmbito de um processo responsável com “abordagens institucionais baseadas em referências acordadas a nÃvel nacional, regional e internacional”.
O comunicado reafirmou o compromisso da liderança do Iémen em salvaguardar a paz social, consolidar os princÃpios da colaboração e do consenso, rejeitar a exclusão e abordar as reivindicações do sul do paÃs de forma justa e inclusiva.
Al-Alimi rejeitou de forma categórica a imposição de factos consumados pela força ou do uso de armas para obter ganhos polÃticos que não beneficiem o povo do sul do Iémen ou que produzam efeitos legais ou constitucionais.
O STC tomou vastas áreas do território nas últimas semanas, incluindo grandes partes das provÃncias vizinhas de Hadramout, fronteiriça com a Arábia Saudita e rica em petróleo, e de Mahra.
Al-Alimi reafirmou o compromisso com a “justiça e a proteção dos direitos dos cidadãos”, apelando a um “processo pacÃfico e institucional para abordar a causa do Sul com a seriedade e a imparcialidade que merece”, um processo focado na “salvaguarda da segurança e da estabilidade regional do Iémen”.
O Presidente descreveu a proposta como “uma extensão do papel fundamental do Reino [da Arábia Saudita] no apoio ao Iémen (…), na promoção de todas as vias de consenso e na criação de um ambiente propÃcio a um diálogo sério e responsável que conduza a resultados práticos e sustentáveis”.
Na sexta-feira, ataques aéreos contra bases militares separatistas em Al-Khasha e Seyoun, efetuados pela coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen mataram pelo menos 20 combatentes, disse um oficial militar do STC.
O conflito territorial no sul do paÃs tem sido ofuscado por anos de guerra civil entre o Governo iemenita e o movimento rebelde Huthi, que controla a capital, Sana, há cerca de uma década.
No auge do conflito, os separatistas do STC apoiaram de forma relutante as autoridades de Aden em troca de promessas de independência, num paÃs que esteve dividido entre norte e sul até 1990.
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