
Porto PrÃncipe, 10 ago 2024 (Lusa) – O Governo do Haiti ordenou à polÃcia que tome “todas as medidas necessárias” para garantir a ordem pública, dada a escalada de violência por parte de grupos armados em várias zonas do paÃs.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública indicou, em comunicado, na sexta-feira, que a meta é “pôr fim a esta situação de terror, que já dura há demasiado tempo”.
“O objetivo é garantir a ordem pública para que a população possa circular livremente, com total tranquilidade, e regressar à vida normal”, prossegue a nota, assinada pelo ministro Carlos Hercule.
O comunicado surgiu após incidentes recentes como o fogo posto na alfândega de Ganthier, no sul do paÃs, um ataque contra um veÃculo blindado da PolÃcia Nacional Haitiana e um ataque ao Instituto Monfort de Croix-des-Bouquets, dedicado ao cuidado de crianças com deficiências auditivas ou visuais.
A escalada de violência tem causado vÃtimas entre a população, sobretudo em Cabaret e Arcahaie, no departamento de Oeste, onde se situa a capital, Porto PrÃncipe.
De acordo com a representação das Nações Unidas no Haiti, pelo menos 1.379 pessoas foram vÃtimas de violência por parte de grupos armados no Haiti, incluindo mortes e feridos, durante o segundo trimestre de 2024, elevando o balanço de vÃtimas este ano para quase 3.900 vÃtimas.
“Os atos criminosos dos últimos dias provocaram também a deslocação de numerosas famÃlias, agravando a crise humanitária no paÃs, que é uma das preocupações do governo de transição a par da questão da segurança”, referiu Carlos Hercule.
A ONU indicou que cerca de 600 mil pessoas estão deslocadas no paÃs, um aumento de 60% desde março.
No final de julho, o primeiro-ministro do Haiti, Garry Conille, foi retirado ileso de uma visita ao Hospital Universitário do Estado, o maior hospital do paÃs, situado na capital, quando membros de gangues dispararam armas automáticas na área.
Conille conseguiu sair das instalações em segurança, escoltado por polÃcias haitianos e agentes quenianos da missão de segurança multinacional apoiada pela ONU.
O hospital está localizado numa área controlada por gangues no centro da capital e esteve mesmo nas mãos de bandos entre o final de fevereiro e o inÃcio de julho, altura em que a polÃcia haitiana conseguiu voltar a capturar a infraestrutura.
Os grupos armados têm sido acusados de numerosos assassÃnios, violações, pilhagens e raptos para obtenção de resgate, situação que se agravou no inÃcio do ano, quando decidiram unir forças para derrubar o antigo primeiro-ministro Ariel Henry.
Desde a saÃda de Henry foram criadas autoridades de transição para trabalhar na recuperação do Haiti, com o apoio de uma missão multinacional liderada pelo Quénia.
O paÃs, devastado pela violência e pela corrupção, não tem chefe de Estado desde o homicÃdio de Jovenel Moïse em 2021.
VQ (EJ) // VQ
Lusa/Fim



