
Maputo, 04 ago 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano disse hoje estar a analisar as causas da nova vaga de escassez de combustÃveis em várias zonas do paÃs, após semanas de relativa normalização do abastecimento que se seguiu à crise em abril e maio.
“Ainda está-se a fazer uma análise para perceber o que é que está a passar efetivamente para que se esteja a vivenciar, aparentemente, ou esteja, pelo menos, a iniciar uma segunda vaga de escassez”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da reunião do executivo, em Maputo.
Questionado pelos jornalistas, o porta-voz admitiu que o executivo tem conhecimento da situação, que voltou a ser registada desde o último fim de semana, com postos encerrados sem combustÃvel e filas para o abastecimento nas que funcionam, assegurando que o Governo está a recolher informação para apurar as causas do problema.
O regresso de longas filas em alguns postos de abastecimento está a ser sentido há vários dias, nomeadamente na cidade da Matola, provÃncia de Maputo, depois de um perÃodo de acalmia na sequência da crise de combustÃveis que afetou o paÃs na sequência da dificuldades logÃsticas provocadas pelo conflito no Médio oriente.
Entre abril e maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas de dezenas de viaturas e levou ao reforço da presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da polÃcia em postos de abastecimento que dispunham de combustÃvel, para garantir a segurança e controlar a afluência de automobilistas, motociclistas e consumidores munidos de recipientes.
A falta de combustÃveis, então com postos encerrados em todo o paÃs, chegou mesmo a condicionar a atividade empresarial e os transportes.
O preço do gasóleo acabou por aumentar 45,5% e o da gasolina 12,1% em 07 de maio, tendo o Governo justificado a revisão dos preços com a evolução do mercado internacional e com dificuldades de fornecimento associadas ao conflito no Médio Oriente.
Em 12 de junho, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, defendeu que os biocombustÃveis podem ajudar a reduzir os efeitos da volatilidade dos preços internacionais dos combustÃveis fósseis, reiterando que devem ser encarados como parte da estratégia de diversificação da matriz energética nacional.
Falando na abertura do Seminário Nacional de BiocombustÃveis, em Maputo, o ministro reconheceu que Moçambique enfrenta um contexto marcado pela volatilidade dos preços internacionais dos combustÃveis fósseis e pelos impactos do conflito no Médio Oriente sobre as cadeias globais de abastecimento.
Segundo Estêvão Pale, o paÃs dispõe de condições naturais, agrÃcolas e logÃsticas favoráveis ao desenvolvimento de uma cadeia nacional de biocombustÃveis, embora tenha reconhecido que estes não substituirão, a curto prazo, os combustÃveis fósseis.
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