
Hong Kong, China, 15 jun 2019 (Lusa) – O jornal South China Morning Post noticiou hoje que o Governo de Hong Kong vai suspender o debate sobre a controversa proposta de lei da extradição, que motivou dois protestos em massa na antiga colónia britânica.
A informação é avançada na véspera de um novo protesto previsto para este domingo e após uma reunião, em Shenzhen (sul da China, adjacente a Hong Kong) entre responsáveis de Pequim, para tentar resolver o impasse polÃtico na região, de acordo com fontes não identificadas, citadas pelo diário da região administrativa especial chinesa.
Outra fonte disse ao mesmo jornal que a chefe do Executivo, Carrie Lam, realizou uma reunião na sexta-feira à noite com altos representantes do Governo central para analisar “os prós e os contras” da suspensão do debate das emendas à proposta de lei da extradição.
A polémica proposta de lei, que permitiria que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental, levou centenas de milhares de pessoas à rua na última semana.
Outro protesto em massa está previsto para decorrer este domingo. Na passada quarta-feira, dia em que devia ter começado o debate no parlamento local da proposta de lei, a sessão acabou por ser suspensa, na sequência de uma manifestação não autorizada de milhares de pessoas, durante a qual pelo menos 80 ficaram feridas em confrontos com a polÃcia, que usou balas de borracha, granadas de gás lacrimogéneo e gás pimenta para dispersar os manifestantes.
Os defensores da lei argumentam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para paÃses como a China, tal poderá transformar Hong Kong num “refúgio para criminosos internacionais”.
Os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princÃpio ‘um paÃs, dois sistemas’, precisamente o que os opositores à s alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
FST (JMC) // EJ
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