
Praia, 08 out 2021 (Lusa) — O Governo cabo-verdiano aprovou 1,5 milhões de euros para atenuar os resultados de um mau ano agrÃcola em alguns pontos do arquipélago, que vai priorizar a criação de empregos públicos municipais e produção na pecuária, foi hoje anunciado.
O anúncio foi feito, em conferência de imprensa, pelo ministro da Cultura, Abraão Vicente, que foi o porta-voz do Conselho de Ministros, que na quinta-feira aprovou a resolução sobre as medidas de atenuação dos resultados do ano agrÃcola de 2021/2022 e respetivo orçamento.
O ministro começou por sublinhar que, até hoje, a campanha agrÃcola em é caracterizada por uma “estação de chuvas deficitária e de distribuição bastante irregular” em todo o arquipélago.
“Refletindo negativamente, e de forma muito diferenciada, na produção agropecuária, que foi de má nas zonas mais áridas do paÃs, de deficitário nos estratos semiárido e de normal a excelente nos estratos sub-húmido e húmido”, caracterizou.
Apesar de existirem vários programas que também pretendem atenuar os resultados do ano agrÃcola, o Executivo entendeu por bem aprovar medidas para manter a capacidade produtiva na pecuária e criação de empregos públicos nos municÃpios e para as famÃlias afetadas.
“Estas intervenções serão realizadas de forma diferenciada nos concelhos, em função da situação resultante da avaliação final da campanha agrÃcola de 2021/2022”, salientou o porta-voz do Conselho de Ministros.
Orçamento em 170 milhões de escudos cabo-verdianos (1,5 milhões de euros), o plano emergencial está sujeito a alteração, após a avaliação final dos resultados da campanha agrÃcola 2021/2022.
Abraão Vicente ressaltou que este orçamento é “muito inferior” a alguns de anos anteriores, em que o paÃs sofreu seca extrema, chegando mesmo a 600 milhões de escudos (5,4 milhões de euros).
“Esta é uma verba por precaução, que fomos mobilizar ao Fundo de Reserva Nacional, exatamente para começar a intervir antes que haja situações de alguma dificuldade no terreno”, frisou Abraão Vicente.
Na segunda-feira, ministro da Agricultura e Ambiente cabo-verdiano, Gilberto Silva, disse que este ano o paÃs vai ter um ano agrÃcola “muito próximo do normal”, com produção de pasto e grãos, esperando mais chuvas em outubro para melhorar a situação.
“Já sabemos que vamos ter um ano agrÃcola muito próximo do normal, mas há zonas do paÃs que não estão tão bem, há uma boa produção do pasto na maior parte dos concelhos, haverá alguma produção de grãos, milho e feijões, em boa parte dos concelhos”, previu o governante.
Num ponto de situação preliminar, já que normalmente a avaliação começa em finais de outubro, o ministro disse que em termos de recarga dos lençóis freáticos o paÃs está “no razoável” e “muito deficitário” em alguns municÃpios.
“Nós temos uma situação bastante diferenciada, que vai de crÃtica em poucos concelhos a uma situação razoável em alguns outros concelhos”, frisou, garantindo que o Governo vai atender à s necessidades que decorrem da baixa produção.
Entre as ações, destacou a mobilização e distribuição de água, bonificação da ração para os criadores de gado e promoção do emprego público para que as famÃlias mais afetadas possam ter acesso ao rendimento e melhor acesso aos bens essenciais.
“Com base na avaliação, o Governo vai aprovar um plano especÃfico de atenuação”, reforçou Gilberto Silva, indicando que entre os municÃpios que terão um ano agrÃcola abaixo do normal estão Porto Novo, em Santo Antão, e alguns a zona sul de Santiago, como Ribeira Grande.
Para que o ano agrÃcola seja melhor, o governante ainda tem esperança de chuvas em outubro, depois das que caÃram em agosto e setembro.
“Temos muita esperança que chova, sente-se a necessidade de mais uma chuva para que a produção seja garantida nos concelhos que estão mais avançados”, afirmou o titular da pasta da Agricultura e Ambiente, que está a realizar viagens aos municÃpios cabo-verdianos para se interior da campanha agrÃcola.
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