Governo de Cabo Verde aposta nas indústrias e infraestruturas para desenvolver Santo Antão

Ribeira Grande, Cabo Verde, 02 mar 2023 (Lusa) — O Governo cabo-verdiano apontou hoje as indústrias e as infraestruturas, entre elas o aeroporto internacional e o porto marítimo, como apostas para continuar o processo de desenvolvimento da ilha de Santo Antão.

As decisões saíram do Conselho de Ministros descentralizado, realizado na cidade da Ribeira Grande, no quadro de uma visita de quatro dias, que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, realiza à ilha de Santo Antão, a mais a norte do arquipélago cabo-verdiano.

Em conferência de imprensa, a ministra da Presidência do Conselho de Ministros, Janine Lélis, revelou que durante a reunião, em que foram convidados os presidentes das três câmaras municipais, ficou decidido a apresentação ainda este mês do plano diretor do aeroporto internacional da ilha.

De acordo com a porta-voz do Governo, o documento vai conter detalhes sobre a localização, dimensionamento e os custos desta infraestrutura, cujos estudos que confirmaram a viabilidade foram apresentados há dois anos.

Segundo a governante, só depois desta segunda etapa é que se poderá fazer uma avaliação e continuar à procura de financiamento para este que será o quinto aeroporto internacional de Cabo Verde, com uma pista de 2.000 metros.

Santo Antão liga neste momento de barco e apenas com a ilha vizinha de São Vicente, depois da desativação em 2007 do aeródromo Agostinho Neto, localizado em Ponta do Sol, concelho da Ribeira Grande.

Durante a reunião, abordou-se ainda a questão do porto marítimo do Porto Novo, considerado também como sendo outra “infraestrutura essencial” para o desenvolvimento da ilha, sendo que as perspetivas apontam para um alargamento, e com outras componentes.

“A boa nova é que o Governo já tem a garantia de financiamento para o alargamento deste porto e que vai ser determinante neste processo de desenvolvimento”, disse a porta-voz do Conselho de Ministros cabo-verdiano.

Ainda durante a reunião, ficou decidida para breve a realização de um contrato de concessão para a retoma da extração da pozolana, uma rocha de origem vulcânica que se adiciona e reforça o cimento, cuja fábrica no Porto Novo fechou as portas há oito anos por problemas de gestão.

Outra indústria abordada pelos governantes e pelos autarcas foi a produção do grogue (aguardente de cana-de-açúcar), considerado como tendo um “papel muito importante” no desenvolvimento da ilha.

A nova lei do grogue foi implementada em 2018 e, segundo a ministra, desde essa altura aumentou-se de 6% para mais de 75% as unidades produtivas que cumprem com mais de 50% dos requisitos legais.

“Agora vai-se fazer uma aposta forte, no sentido de se fazer a valorização do grogue, de promover a sua empresarialização, para depois efetivarmos a certificação. O que se quer é trazer mais competitividade a um produto que é distinto e que é conhecido, para que se possa agregar valor que para que se possa explorar da melhor forma a vantagem competitiva que nós podemos ter nesta matéria”, frisou.

No que diz respeito ao turismo, foi apresentado um plano para a valorização das três aldeias rurais de Santo Antão, o que vai implicar uma requalificação urbana na ordem dos 40 milhões de escudos (cerca de 362 mil euros) para cada uma delas, ainda de acordo com a ministra.

“Sempre numa perspetiva de fazer uma valorização do espaço como um atrativo importante para o turismo”, salientou Lélis, dando conta ainda de um “investimento muito relevante” para reabilitação de cerca de 300 quilómetros de trilhas para o ecoturismo.

Relativamente à água, a ministra avançou que o Governo vai manter os seus esforços para a sua mobilização e para a distribuição, dentro do projeto Águas e Saneamento, em que vai ser criada a empresa Águas de Santo Antão, cujos acionistas serão os três municípios e uma empresa privada.

Da agenda do primeiro-ministro em Santo Antão, foi realizada na quarta-feira uma conferência sobre a ilha e nos próximos dois dias haverá um conjunto de visitas e inaugurações de projetos e obras do Governo nos três concelhos: Porto Novo, Ribeira Grande e Paul.

Santo Antão, uma das nove ilhas habitadas de Cabo Verde, é a segunda maior em superfície, com uma área de 779 quilómetros quadrados e cerca de 47 mil habitantes, sendo a terceira em número de população.

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