
Praia, 09 fev (Lusa) – O Governo cabo-verdiano apelou hoje à serenidade e tranquilidade no caso das crianças desaparecidas na cidade da Praia, pedindo que as pessoas fiquem atentas mas que deixem a justiça fazer o seu trabalho.
Cinco pessoas, entre elas quatro crianças, desapareceram desde agosto do ano passado na cidade da Praia.
Os casos estão a gerar alarme social no paÃs, onde rumores e a tese mais veiculada é a de que os desaparecimentos estarão relacionados com a operação no paÃs de redes de tráfico de pessoas.
O caso mais recente é o de duas crianças, um rapaz de 9 anos e uma rapariga de 11, que desapareceram sábado do bairro de Achada Limpo.
Em novembro desapareceu outra rapariga de 10 anos, residente no bairro Eugénio Lima, e, desde agosto, uma jovem de 19 anos e o seu filho recém-nascido.
Na quinta-feira, circularam rumores nas redes sociais entretanto desmentidos pelas autoridades, de que um cidadão chinês estava a sequestrar crianças no bairro de Achadinha, gerando o pânico no local.
A PolÃcia Nacional (PN) foi obrigada a emitir um comunicado no mesmo dia a garantir que se tratou de um “mal-entendido” e apelou a “serenidade e colaboração” da população, mas chamou atenção para o “perigo” da veiculação de falsas notÃcias.
Questionado sobre esta questão na conferência de imprensa onde deu a conhecer as decisões saÃdas do Conselho de Ministros, Fernando ElÃsio Freire disse que são casos que preocupam toda a sociedade e pediu à s pessoas para deixarem a justiça fazer o seu trabalho.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, do Desporto e da Presidência do Conselho de Ministros pediu atenção à s pessoas, mas também apelou a “serenidade e tranquilidade”.
“Apelamos a todos os cabo-verdianos que estejam atentos, que continuemos a ser um povo tranquilo, universal e amigo de todos”, disse o ministro.
Sobre o falso alarme em Achadinha, o governante manifestou solidariedade ao cidadão chinês e lembrou que “o crime não tem nacionalidade”.
“Pode ser chinês, francês, cabo-verdiano, holandês. Cabo Verde é um paÃs universal, todos devem ser tratados de igual forma e vamos deixar a justiça fazer o seu trabalho, com tranquilidade, e continuar atentos porque os tempos são outros”, concluiu.
O Ministério Público anunciou na terça-feira a criação de uma equipa conjunta de magistrados e elementos das PolÃcia Judiciária e PolÃcia Nacional para investigar os desaparecimentos.
O diretor da PolÃcia Judiciária (PJ), António Sousa, disse acreditar que as crianças permanecem em Cabo Verde e que a investigação mantém todas as hipóteses em aberto.
Os desaparecimentos na cidade da Praia motivaram já reações de órgãos de soberania, partidos polÃticos, Igreja Católica e organizações defensoras dos direitos das crianças.
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