
Praia, 12 mar 2026 (Lusa) — O Governo de Cabo Verde anunciou hoje medidas face à ameaça global de subida de preços dos recursos energéticos, que incluem a suspensão temporária da atualização de preços e a redução de impostos sobre os combustíveis.
“As medidas estão prontas para serem acionadas para proteger as famílias e as empresas, caso os preços internos sejam afetados por aumentos anormais resultantes de impactos inflacionistas externos na energia”, afirmou o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, numa comunicação ao país, na sequência da guerra no Irão e da crise no Médio Oriente.
Estas medidas incluem a suspensão temporária do mecanismo de atualização de preços, com compensação às petrolíferas pelo défice provocado, a aplicação de um desconto equivalente ao aumento de IVA gerado pela subida do preço do combustível importado e a redução de impostos sobre os produtos petrolíferos.
As medidas poderão ser aplicadas de forma isolada, em conjunto ou progressivamente, dependendo do impacto da crise energética sobre os preços internos de combustíveis.
O chefe do Governo acrescentou que o país monitoriza diariamente o mercado internacional de combustíveis através de uma equipa técnica permanente, coordenada pelo ministro da Indústria, Comércio e Energia.
O ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, garantiu que o país dispõe atualmente de `stock´ suficiente para abastecimento e que o reabastecimento decorre normalmente.
“A disponibilidade logística dos produtos em Cabo Verde não é afetada pela situação no Médio Oriente. Importamos produtos da Europa do Norte, África e América Central, portanto, a logística não sofre impacto”, explicou.
Os preços internos dos derivados de petróleo são fixados mensalmente pela entidade reguladora, com base na evolução do mercado internacional, tomando como referência o barril de Brent, e ainda existe uma margem de mais de duas semanas até à próxima atualização, marcada para 01 de abril, disse.
Segundo o governante, comparando com os últimos cinco anos, a situação atual ainda não atingiu os níveis do pico da crise da Ucrânia, em 2022, embora haja incerteza quanto à evolução dos preços.
Os Estados Unidos e Israel, que já tinham protagonizado uma guerra de 12 dias contra o Irão, em junho, lançaram uma nova onda de ataques em 28 de fevereiro, justificando-se com uma inflexibilidade do regime político da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão condicionou o tráfego no estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas na região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.
Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão mais de 1.200 civis mortos, incluindo o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, cujo cargo foi entretanto assumido pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei.
RS // MLL
Lusa/Fim
