GOVERNO CABO-VERDIANO ESTIMA EM 40% ADESÃO DE POLÍCIAS NO PRIMEIRO DIA DE GREVE

LusaPraia, 27 dez (Lusa) – O Governo de Cabo Verde estima em 40% a adesão ao primeiro dia de greve dos efetivos da Polícia Nacional (PN), contra os mais de 90% de adesão apontados pelo Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL).

Segundo dados da direção da Polícia Nacional (PN), divulgados pelo Gabinete de Comunicação do Governo ao final da tarde de hoje, no primeiro de três dias de paralisação 59,28% dos dois mil agentes da corporação apresentaram-se ao serviço.

“Dos efetivos escalados para o dia de hoje, tendo em conta o funcionamento normal das diversas unidades policiais, 59,28% compareceram ao serviço”, adianta o Governo, assinalando que os agentes fazem turnos de 6,8 e 12 horas e descansam 24 horas.

Durante a manhã, o SINAPOL tinha apontado uma adesão superior a 90% com os agentes a manifestarem-se nas ruas e esquadras encerradas ou a funcionar com problemas em várias ilhas, apesar da requisição civil decretada pelo Executivo.

Na cidade da Praia, centenas de agentes marcharam pelas ruas da capital reivindicando o comprimento dos compromissos em matéria salarial e exigindo da demissão do ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

De acordo com o Executivo, a maioria dos efetivos presentes nas marchas realizadas por todo o país, “foram os que se encontravam de folga e férias, aderindo assim à greve”.

O ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, assegurou durante a manhã, em conferência de imprensa, que não se demite e que os agentes que não cumprirem a requisição civil serão responsabilizados criminal e disciplinarmente.

Paulo Rocha adiantou que as Forças Armadas irão reforçar o patrulhamento urbano durante os dias da greve e manifestou abertura para dialogar com os polícias com vista a uma eventual suspensão da paralisação.

O SINAPOL acusa o MAI de não ter cumprido o memorando de entendimento assinado em março, no qual se comprometia a atender às reivindicações dos polícias e que levou à desconvocação de uma greve marcada nessa altura.

Os polícias reivindicam atualização salarial, redução da carga horária, introdução de um regulamento de trabalho e pagamento, com efeitos retroativos, de subsídio de condição policial aos agentes da Guarda Fiscal.

Da lista de reivindicações consta também o pagamento de 25% sobre o vencimento, como subsídio de condução, ao pessoal da PN que exerce, cumulativamente, as funções de condutores.

O ministro, por seu lado, assegura que cumpriu tudo o acordado e pede “razoabilidade, bom senso e responsabilidade” ao sindicato num ano em, segundo disse, foi feito um investimento de mais de 3,6 milhões de euros na Polícia Nacional e o país enfrenta dificuldades devido ao mau ano agrícola.

“Compreendemos a ansiedade, as expectativas, mas é preciso gerir porque este é o país que temos e temos famílias no campo desesperançadas e que precisam também do nosso apoio. O bolo tem que ser dividido equitativamente”, disse.

CFF // ANP.

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