
Washington, 14 out 2022 (Lusa) – O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, manifestou hoje em Washington preocupação com o cenário económico para 2023, nomeadamente com a desaceleração do investimento, defendendo ser necessário “recuperar os nÃveis de confiança rapidamente”.
Centeno está na capital norte-americana para participar nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde reforçou a necessidade dos bancos centrais, em particular do Banco Central Europeu, de lutar contra a inflação.
“Há um sentido de desaceleração das nossas economias, que já vem, aliás, de alguns trimestres. Esta desaceleração tem razões muito explÃcitas e muito claras e não tem sido exatamente idêntica em todos os paÃses e em todas as regiões. Mas a Europa está hoje está confrontada com decisões difÃceis, que podem trazer alguns aspetos recessivos nas nossas economias”, avaliou o português.
“Estou obviamente a falar da necessidade dos bancos centrais, em particular do Banco Central Europeu, de lutar contra a inflação. Temos de ser muito rigorosos nessas medidas, porque elas, no fim, trarão benefÃcios para todos. Reduzir a inflação é um imperativo nesta fase. E, ao fazer isto, o Banco Central Europeu toma em conta, obviamente, todas as dimensões das nossas economias e da sua dimensão financeira”, frisou, em declarações a jornalistas portugueses.
Apesar de destacar a “resiliência” dos mercados de trabalho na Europa e em Portugal, Mário Centeno indicou ser preciso convocar todos os recursos que o paÃs tem disponÃveis para combater a desaceleração da economia, e mais concretamente do investimento.
“Há uma área que me preocupa e que eu tenho vindo a falar sobre ela, que tem a ver com a desaceleração do investimento. Nós temos que recuperar nÃveis de confiança rapidamente para que o investimento possa recuperar ele próprio também”, declarou.
O governador do Banco de Portugal considerou que o nÃvel de participação no mercado trabalho português “é muito alto”, colocando em evidência os “nÃveis de desemprego dos mais baixos registados nas últimas décadas”.
“Depois de um perÃodo muito difÃcil, com a crise da covid-19, temos nesta fase que estar concentrados em convocar todos os recursos que temos disponÃveis para combater esta desaceleração da economia, aumentar a confiança, ao mesmo tempo que conseguimos manter um mercado de trabalho com os nÃveis de desempenho que temos hoje”, reforçou.
As reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial continuam a decorrer em Washington até domingo.
Na manhã de hoje, a secretária do Tesouro norte-americana, Janet Yellen, reuniu-se com os ministros das Finanças do Eurogrupo, com o Departamento Europeu do FMI e a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, a realizarem um ‘briefing’ conjunto.
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