
Nampula, Moçambique, 19 nov 2025 (Lusa) — Pelo menos cinco pessoas morreram nos recentes ataques extremistas em Memba, norte de Moçambique, disse hoje o governador da provÃncia de Nampula, alertando que o número pode aumentar devido à falta de informação de zonas ainda inacessÃveis.
“São exatamente cinco óbitos, entre degolamento e tiro. O que temos neste momento é isso. Pode ser que haja mais, onde a gente não tenha informação”, disse o governador da provÃncia de Nampula, Eduardo Abdula, em declarações aos jornalistas.
As autoridades governamentais da provÃncia de Nampula tinham avançado na terça-feira que pelo menos três pessoas morreram no distrito de Memba, em ataques nos últimos dias atribuÃdos a supostos terroristas oriundos de Cabo Delgado.
“Os ataques concentraram-se inicialmente no posto administrativo de Mazula, nos dias 14 e 15 [de novembro], e avançaram, ontem [segunda-feira], dia 17, para a sede do distrito de Memba, incluindo as localidades de Chipene e Baixo Pinta”, afirmou, em conferência de imprensa, o secretário de Estado na provÃncia de Nampula, Plácido Pereira.
Acrescentou que, durante estas ações, os atacantes incendiaram 101 casas de populares, viaturas, uma moageira e “raptaram alguns cidadãos”.
De acordo com o secretário de Estado, aproximadamente 200 famÃlias encontram-se acolhidas no distrito vizinho de Eráti, também em Nampula, que dista 106 quilómetros de Memba, e outras 40 em Nacarôa, a 76 quilómetros de distância, havendo também deslocados em Nacala-a-Velha e Nacala Porto.
A instabilidade levou ainda à suspensão de vários projetos públicos em Memba, incluindo a construção de um centro de saúde e o sistema de abastecimento de água do distrito.
“As aulas também foram interrompidas. As Forças de Defesa e Segurança permanecem no terreno e realizam operações para restaurar a ordem. As operações estão a ser realizadas e espera-se que, num espaço curto de tempo, possamos voltar à normalidade”, declarou o secretário de Estado.
A ONU estimou hoje que cerca de 128 mil pessoas tenham fugido, numa semana, das povoações de Lúrio e Mazula, em Memba, após ataques de grupos extremistas.
De acordo com um relatório de atualização do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), os ataques coordenados de grupos armados não estatais desde o dia 10 de novembro intensificaram-se nos distritos de Memba e Eráti, Nampula.
Segundo a agência da ONU, os primeiros relatos indicam que algumas casas — e uma escola — foram incendiadas, propriedades foram saqueadas e civis mortos, feridos ou sequestrados: “estão em curso deslocamentos populacionais, estima-se que 80% da população de Lúrio e Mazula (aproximadamente 128.000 pessoas) tenha fugido para áreas de mata próximas ou para outros distritos”.
“O medo de novos ataques e a persistente insegurança continuam a desencadear novos movimentos, à medida que se espalham rumores da presença de grupos armados não estatais pelas áreas afetadas”, lê-se no documento.
O OCHA descreve ainda que informações no terreno relatam movimentos populacionais significativos em todo o distrito de Memba, com moradores de bairros vizinhos a concentrarem-se em Lúrio sede, enquanto algumas famÃlias atravessam o rio Lúrio em direção ao distrito de Mecúfi, na provÃncia de Cabo Delgado, que enfrenta a violência armada desde outubro de 2017, particularmente nas aldeias de Munariki e Natuco.
Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram a autoria de pelo menos dois ataques na provÃncia moçambicana de Nampula, provocando a morte de cinco cristãos, noticiou a Lusa na segunda-feira.
Na reivindicação, feita através dos canais de propaganda do grupo, refere-se que num dos ataques a uma aldeia “capturaram e mataram quatro cristãos a tiro” e que queimaram uma igreja. Noutro local assumiram que mataram um cristão e queimaram duas casas.
EYMZ (AYF/PVJ) // MLL
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