
Pemba, Moçambique, 30 out 2025 (Lusa) – O governador da provÃncia moçambicana de Cabo Delgado disse hoje que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) não vão perseguir aqueles que decidirem abandonar as fileiras do terrorismo e retornar à s suas zonas de origem.
“O trabalho de perseguição está em curso, mas se eles se dedicarem a render-se, a voltar para casa como já foi dada essa amnistia, hão de ver também que as nossas Forças de Defesa e Segurança não vão perseguir a ninguém”, disse o governador da provÃncia de Cabo Delgado.
Valige Tauabo, que falava no distrito de Meluco, avisou: “Mas enquanto persistirem a estar no mato para pensar mal, as nossas FDS também vão continuar a perseguição até que se consciencializem de que na verdade as FDS não estão para fazer mal a ninguém, pelo contrário, estão para a estabilidade”.
Nas mesmas declarações, o governante pediu aos populares o fim das agressões aos que abandonam o terrorismo, mas apelou a denúncias em caso de movimentações suspeitas nas comunidades.
“Às vezes, podemos pensar que aquele está com caracterÃsticas de ser um terrorista e levamos a mensagem de que é, o que vai acontecer é que podemos agredi-lo e fazer sofrer e mais tarde vamos descobrir que não é terrorista, é filho da casa”, alertou.
A provÃncia de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de MocÃmboa da Praia.
De acordo com um relatório de campo do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), até agosto, Moçambique reportou um total de 111.393 pessoas deslocadas, na sua maioria provenientes de Cabo Delgado (109.118), apesar de terem sido registadas movimentações de pessoas nas provÃncias de Niassa e Nampula.
“Os civis continuam a enfrentar graves riscos de segurança e proteção, incluindo raptos, pilhagens e ameaças”, refere-se no documento, que acrescenta que, em agosto, estes incidentes “resultaram em 44 mortos e 101 raptados, entre eles seis crianças e cinco mulheres”, tendo sido afetadas 208 mil pessoas.
Acresce que a insegurança, combinada com reduções “significativas” no financiamento humanitário, limitou “severamente” a capacidade dos parceiros para alcançar as populações afetadas.
Quase 93 mil pessoas fugiram de Cabo Delgado e Nampula desde finais de setembro devido ao recrudescimento dos ataques no norte de Moçambique, duplicando o número de deslocados em poucos dias, segundo dados anteriores da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, considerou, em 06 de outubro, como “atos bárbaros” e contra a “dignidade humana” os ataques que se registam em Cabo Delgado.
O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6.257 mortos ao fim de oito anos de ataques em Cabo Delgado, alertando para a instabilidade atual.
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