
Luanda, 16 abr 2021 (Lusa) – O governador da provÃncia angolana da HuÃla considerou “grave” a situação em que se encontram mais de 41.000 pessoas das regiões de Taka, Chiange e Tunda, no municÃpio dos Gambos, afetadas por uma seca severa.
Nuno Mahapi Dala, citado pela agência noticiosa angolana, Angop, deslocou-se ao Gambos para constatar a situação do municÃpio, que não regista chuvas há sete meses, e tem até as culturas resistentes à seca a morrer.
Segundo o governador, que manteve um encontro com o Conselho de Auscultação Local, foram colhidas contribuições para se afinar as metodologias de intervenção, com vista a encontrar-se uma solução para vários problemas identificados em variados domÃnios, a começar pelo levantamento das zonas mais afetadas.
A situação é “grave”, referiu Nuno Mahapi Dala, salientando que os habitantes estão a ser forçados a vender o gado a preços baixos, devido à falta de pasto e como forma de obter algum dinheiro para as suas necessidades básicas.
O padre Pio Wakussanga, em representação da comunidade, informou que existem já muitas pessoas a sofrer de anemia, crianças, mulheres e homens, além de um número elevado de famÃlias que já abandonou o municÃpio a pé, para procurar sustento em outras zonas da provÃncia e na República da NamÃbia.
O prelado apelou a uma intervenção urgente das autoridades, para que se evitem mortes.
Um relatório de fevereiro do Programa Alimentar Mundial (PAM) referiu que numa comparação à s chuvas observadas desde 1981, as provÃncias do sudoeste de Angola registaram a pior seca dos últimos 40 anos, durante os meses de novembro de 2020 a janeiro deste ano.
O perÃodo chuvoso nas provÃncias afetadas geralmente termina na primeira semana de maio, realçou a pesquisa, faltando apenas cerca de um mês para o fim da época chuvosa.
“Se a escassez de precipitação prevalecer haverá baixas colheitas da primeira safra e haverá poucas oportunidades de sementeiras de segunda safra, por falta de humidade residual no solo. Dependendo da severidade da seca, algumas regiões poderão ter escassez de água para o consumo humano, tal como aconteceu em 2019”, alertou.
A organização das Nações Unidas recomendou uma monitorização contÃnua da precipitação, de modo a identificar as provÃncias e municÃpios mais crÃticos “para uma avaliação profunda de segurança alimentar e nutricional pós-colheita, com o objetivo de medir com detalhe a magnitude e severidade dos impactos da escassez da chuva na segurança alimentar e nutricional”.
“É aconselhável que os setores e entidades que lidam com segurança alimentar e nutrição desde já esbocem possÃveis intervenções de mitigação à insegurança alimentar aguda e à desnutrição aguda para o perÃodo de escassez, que irá de setembro 2021 a março de 2022”, aconselhou o estudo.
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