
Lisboa, 16 set 2023 (Lusa) – Um inédito em Portugal da escritora italiana Goliarda Sapienza, o relato de sobrevivência de uma antropóloga atacada por um urso, a autobiografia de Angela Davis e poesia de Lawrence Ferlinghetti estão entre as novidades da ‘rentrée’ da Antigona.
Já este mês, a editora publica “Carta Aberta” (1967), primeiro livro de um ciclo que Goliarda Sapienza intitularia “Autobiografia das Contradições”, que é, nas palavras da AntÃgona, “um ajuste de contas com o mundo, pela mão de uma das escritoras italianas mais apaixonantes do Século XX”.
A obra, uma espécie de “balanço de vida”, centra-se nos tempos de infância e juventude da autora, na luminosa Catânia, e, ao sabor das lembranças, recupera as mulheres sicilianas que a moldaram, as superstições inspiradas pelo Etna, a morte do pai e a loucura da mãe, entre traumas da guerra e da ditadura.
Esta é uma obra inédita em Portugal, de uma escritora que apenas tem publicado em português o romance “A Arte da Alegria”, que inclui posfácio de Angelo Pellegrino, último companheiro de Goliarda Sapienza e impulsionador da publicação póstuma dos seus textos.
Ainda em setembro, será lançada uma obra entre a ficção e o ensaio antropológico, de Nastassja Martin, intitulado “Acreditar nas feras”, vencedor de vários prémios, que narra o encontro brutal entre uma antropóloga e um urso na floresta siberiana, em 2015, que não a mata, mas desfigura-a.
Este relato, que põe em confronto os mundos selvagem e humano, não está isento da dimensão polÃtica – a “guerra fria” entre Leste e Ocidente, travada no corpo de uma mulher, em intermináveis cirurgias e pernoitas em hospitais russos e franceses -, nem do questionamento crÃtico da convicção cosmopolita de que tudo à face do planeta deve ser domesticado, normalizado e controlado.
O mês de outubro assinala-se com a chegada de “Sobre a Essência do Dinheiro” (1843), de Moses Hess, um ensaio clássico que inspirou uma boa parte dos escritos de Marx, um conjunto de considerações históricas e teológicas sobre a natureza social e religiosa do dinheiro, que tem por base a ideia de que a economia é a ciência da aquisição dos bens terrenos, assim como a teologia é a ciência da aquisição dos bens celestiais.
No final do mês, outro ensaio, “Caminhar – Uma Filosofia” (2008), de Frédéric Gros, que reflete sobre a ação de caminhar como algo indissociável do ato de pensar, e que para o autor representa uma experiência fÃsica e simultaneamente espiritual, prova da liberdade humana.
Ainda em outubro, sai “Medicine Walk” (2014), de Richard Wagamese, um romance que conta a história do reencontro entre um pai, moribundo e destruÃdo pelo álcool, e um filho, Franklin Starlight, de 16 anos, ambos nativos de tribos canadianas. É também o relato da viagem dos dois pelas deslumbrantes florestas da Colúmbia Britânica, em busca da terra sagrada da tribo, onde o pai tem por último desejo ser enterrado.
“Autodefesa. Uma filosofia da violência”, de Elsa Dorlin, um ensaio polÃtico da autodefesa e a sua genealogia, é a primeira novidade do mês de novembro, a que se segue “Carta aos Reis Magos”, de Fernando Arrabal, fundador do Grupo Pânico e mestre patafÃsico, autor de epÃstolas satÃricas como “Carta ao General Franco” e “Carta a Fidel Castro”.
Neste livro, o autor pede a Gaspar, Baltazar e Belchior um “rol de prendas estapafúrdias, maioritariamente inalcançáveis e utópicas, criticando com um sorriso escarninho estes nossos tempos pejados de absurdidades”, descreve a editora.
No final do mês, a AntÃgona publica “Uma autobiografia” de Angela Davis, com prefácio da autora à edição norte-americana mais recente, publicada em 2022. Esta publicação segue-se a “A liberdade é uma luta constante” e “As prisões estão obsoletas?”, da ativista e professora da Universidade da Califórnia, também editadas pela AntÃgona.
Outra novidade é a reedição do há muito esgotado “Marcas de Batom. Uma história secreta do século XX”, da autoria do critico musical Greil Marcus, uma viagem à descoberta da origem da força, do poder e do niilismo dos Sex Pistols.
A fechar as anunciadas publicações até ao fim do ano, chegará à s livrarias uma coletânea de poemas de Lawrence Ferlinghetti, intitulada “Uma manta rota da mente”, uma “obra maior da Geração Beat”.
Este é, segundo a AntÃgona, o livro de poesia mais vendido nos EUA na segunda metade do século XX e “uma crÃtica sã a uma América transformada num misto de feira popular e casa de fantasmas, metáfora e alegoria da vida moderna”, pelo autor da Beat Generation, que ousou editar os seus contemporâneos e fundar a casa livreira City Lights, em São Francisco.
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