
Londres, 13 jun 2021 (Lusa) – A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou hoje, à margem da cimeira do G7, que os paÃses ricos e as empresas farmacêuticas devem “pagar” os programas de vacinação contra o coronavÃrus nos paÃses em desenvolvimento.
Georgieva, que falou por videoconferência no plenário do encontro em Carbis Bay, no sudoeste de Inglaterra, no sábado, e vai voltar a intervir hoje, no último dia do encontro, manifestou-se “impressionada com a seriedade com que [os dirigentes do G7] têm abordado a questão de acabar com a pandemia em todo o mundo”.
Os lÃderes de algumas das democracias mais desenvolvidas do planeta expressaram “um claro reconhecimento” de que ajudar os paÃses em desenvolvimento a combater o coronavÃrus “não é apenas um imperativo moral, mas um passo necessário para que a recuperação económica seja duradoura”, disse numa conferência de imprensa.
“Por isso, temos de assegurar que o mundo faça os paÃses ricos e as empresas pagarem”, frisou a economista búlgara.
A diretora-geral do FMI sublinhou que a medida mais urgente que se deve tomar é organizar a doação de “vacinas excedentárias” aos paÃses mais pobres.
O G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) espera atingir a meta de entregar mil milhões de doses até ao próximo ano, com os Estados Unidos a prometerem 500 milhões e o Reino Unido outros 100 milhões.
A Organização Mundial da Saúde estima serem necessárias 11 mil milhões de doses para vacinar 70% da população mundial, o que quer fazer até meados de 2022, começando por 40% até ao final deste ano.Â
Ao mesmo tempo, destacou Georgieva, é fundamental começar a trabalhar para “aumentar a capacidade de produção” de vacinas nos paÃses em desenvolvimento.
Se grandes áreas do planeta ficarem sem imunização, novas variantes do vÃrus podem espalhar-se em várias partes do mundo, o que comprometeria os programas de vacinação mais avançados e exigirá a fabricação de novos fármacos focados nessas mutações, alertou.
Nesse aspeto, concordou com o presidente do Banco Mundial, David Malpass, que também falou aos jornalistas antes da sua participação na sessão de hoje do G7.
“Os esforços de vacinação terão que continuar até tarde em 2022, e possivelmente depois, então há uma necessidade de aumentar a capacidade de fabrico”, disse o economista norte-americano.
“Também é muito importante que a investigação e o desenvolvimento continuem, porque as variantes do vÃrus serão um problema em 2022”, alertou ao mesmo tempo, mostrando algumas reservas à suspensão das patentes defendidas por alguns paÃses e organizações.
Malpass explicou que um dos programas em que o Banco Mundial está a trabalhar é a criação de um banco de dados que facilite a doação de vacinas para paÃses em desenvolvimento.
“Devemos ser capazes de vincular a produção excedentária aos paÃses que podem usar aquele tipo especÃfico de vacina a tempo, antes de perderem a validade. Esse é um dos grandes desafios”, salientou.
O encontro termina hoje, estando o comunicado final e conferências de imprensa individuais de cada paÃs previstas para o inÃcio da tarde.
BM // VMÂ
Lusa/FimÂ



