
Lisboa, 11 jan 2026 (Lusa) – O candidato presidencial António Filipe defendeu hoje que o futuro dos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários e falta de habitação, classificando o pacote laboral como uma ameaça aos seus direitos e à democracia.
“O futuro dos nossos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários, pela precariedade e pela negação do direito à habitação”, afirmou o candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV num comÃcio, em Lisboa.
O ex-deputado comunista acrescentou: – “Quando os direitos fundamentais dos jovens são negados no presente, não nos podemos limitar a remeter a concretização desses direitos para um futuro mais ou menos distante, adiando o que é preciso fazer já”.
É, por isso, afirmou, preciso “acabar com as propinas” no ensino superior, garantir residências públicas para os estudantes deslocados, um apoio social escolar adequado à s condições económicas dos estudantes e famÃlias.
“É preciso o apoio social escolar adequado à s condições económicas dos estudantes e das suas famÃlias. É preciso virar a página de um ensino superior mercantilizado e isso não pode ser para um futuro distante, isto tem de ser para já, porque é necessário que estas medidas sejam tomadas já”, defendeu.
Os jovens e o pacote laborais foram dos temas focados por António Filipe nesta que foi, desde o inicio da campanha oficial, a iniciativa de campanha que juntou mais apoiantes.
Para o candidato presidencial, “uma das principais ameaças aos direitos e condições de vida dos jovens, dos trabalhadores em geral, mas também à própria democracia, é o pacote laboral” proposto pelo Governo.
António Filipe advertiu que, “para não prejudicar” os candidatos daquilo a que tem chamado “consenso neoliberal”, tais como os candidatos da direita, Gouveia e Melo e António José Seguro, o Governo “adiou a discussão para um momento posterior, mas não desistiu”.
“O Governo não desistiu de aprovar o pacote laboral. O pacote laboral vai ser derrotado, mas ainda não foi derrotado. E o único caminho para o derrotar é continuar a luta e no próximo dia 13 [terça-feira] lá estaremos, lá estarei, na manifestação convocada pela CGTP-IN”, afirmou.
A manifestação da central sindical está marcada para terça-feira, em Lisboa.
“E o voto da minha candidatura é um voto contra o pacote laboral, é um voto pelos direitos, é um voto pela democracia. Já afirmei várias vezes nesta campanha e creio que não é demais repetir, entre os interesses das grandes confederações empresariais e os direitos dos trabalhadores, eu não tenho a mÃnima dúvida do lado em que estou, é do lado dos trabalhadores, do lado da justiça social, do lado da democracia”, sublinhou.
Para concluir que o “presente e o futuro dos nossos jovens exigem um novo rumo para o paÃs”.
António Filipe foi recebido com uma ovação no cheio pavilhão desportivo do Casal Vistoso, em Lisboa, onde, entre os muitos apoiantes da sua candidatura, se encontravam o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, os antigos lÃderes do PCP Jerónimo de Sousa e Carlos Carvalhas, o eurodeputado João Oliveira, a ex-secretária-geral da CGTP Isabel Camarinha e HeloÃsa Apolónia (PEV).
Lá dentro também se ouviram, repetidamente, as palavras de ordem que têm acompanhado o ex-deputado comunista nesta corrida a Belém: “Abril presente, António a presidente”.
Os candidatos à s eleições presidenciais são Gouveia e Melo, LuÃs Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
A segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.
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