
O acordo comercial entre os Estados Unidos, Canadá e México, conhecido como CUSMA, volta a estar sob pressão após novas declarações do presidente norte-americano Donald Trump.
Na Casa Branca, Trump afirmou não estar focado na renovação do tratado, levantando dúvidas sobre o futuro do acordo que regula cerca de 1,3 biliões de dólares em comércio entre os três países.
Apesar do tom político, vários analistas consideram improvável um cenário de rutura total. Entre os principais fatores está a forte dependência de setores estratégicos da economia norte-americana, como a indústria automóvel, a agricultura e a indústria transformadora, que defendem a manutenção do acordo.
Outro elemento prende-se com o processo formal de revisão previsto no próprio CUSMA. O texto estabelece que o acordo pode ser prolongado por mais 16 anos ou sujeito a revisões anuais, o que abre espaço para negociação em vez de uma quebra imediata.
Também as conversações entre os três países apontam para uma abordagem de ajuste e não de abandono. O México já iniciou negociações formais com Washington, enquanto o Canadá mantém contactos regulares com a administração norte-americana.
No plano político, o impacto económico de uma rutura levanta reservas dentro dos próprios Estados Unidos, numa altura de inflação elevada e maior pressão interna sobre a Casa Branca.
Especialistas em comércio internacional sublinham ainda que, apesar da retórica dura, não existe até ao momento qualquer indicação formal de retirada do acordo, que se mantém em vigor até 2036, mesmo sem renovação.
O futuro do CUSMA continua assim em aberto, entre declarações políticas de tensão e uma forte interdependência económica entre os três países.
