Fundação Tzu Chi deu apoio alimentar a 4.200 alunos no centro de Moçambique desde 2023

Nhamatanda, Moçambique, 31 jul 2025 (Lusa) – A fundação de princípios budistas Tzu Chi apoiou, desde 2023, pelo menos 4.200 alunos do ensino primário no distrito de Nhamatanda, província de Sofala, centro de Moçambique, com refeições quentes diárias, anunciou hoje a organização.

Em comunicado, a fundação refere que as crianças foram apoiadas no âmbito de uma iniciativa de nutrição denominada “Hot Meal” (Refeição Quente), que tem vindo a contribuir para a redução do absentismo e melhorar o rendimento escolar, segundo a coordenadora do programa da Tzu Chi em Sofala, Ilda Nuvunga, citada no documento.

“Queremos que este programa seja expandido para outras escolas na província de Sofala. Mais do que alimentar, estamos a investir no futuro. Cada prato servido representa um passo para uma educação com dignidade e esperança”, refere Ilda Nuvunga, citada no mesmo comunicado.

No documento indica-se que as refeições são distribuídas diariamente em três escolas primárias, nomeadamente Joaquim Mara, Lamego e Nhansato, bem como em duas turmas localizadas nos centros de reassentamento de Kura e Metuchira, em Nhamatanda, infraestruturas construídas pela fundação no âmbito do apoio às comunidades afetadas pelo ciclone Idai, que assolou o país em 2019.

Além dos alunos matriculados nestas escolas públicas, a iniciativa apoia 307 crianças destas comunidades que não frequentam os estabelecimentos de ensino, mas vivem nas áreas abrangidas.

O Governo moçambicano lançou, em 20 de junho, uma nova estratégia de segurança alimentar com a qual pretende reduzir a desnutrição crónica infantil no país, que tem sido agravada pelas alterações climáticas nos últimos anos.

A estratégia visa “ter uma agricultura saudável, nutritiva e em escala que possa resolver o problema alimentar do país”, disse então o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, ao lançar a nova Política e Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (PESAN), Roberto Albino.

O país tem avançado na redução da insegurança alimentar, mas a desnutrição crónica, especialmente em crianças menores de 5 anos, ainda permanece elevada, afetando 37% deste grupo populacional, de acordo com os dados do Governo divulgados em 2023.

Para enfrentar o problema, foi elaborado o PESAN 2024-2030, visando integrar esforços multissetoriais para garantir a segurança alimentar e nutricional em todo o país, afirmou Roberto Albino.

De acordo com a secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), ao longo dos últimos dez anos, a taxa de desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos de idade baixou de 43% (2013) para os atuais 37% (2023), níveis considerados ainda muito altos quando comparados com as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Grupos de organizações da sociedade civil no país têm alertado para a urgência no combate à desnutrição infantil em Moçambique, situação agravada por fatores climáticos e de segurança.

PME (RYR) // JMC

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