
Maputo, 17 out 2025 (Lusa) — A Fundação de caridade Tzu Chi Moçambique entregou mais de duas toneladas de alimentos a 650 famÃlias deslocadas, afetadas por intempéries desde 2022, na cidade de Maputo, anunciou hoje a organização, apontando ainda desafios “grandes” de habitação.
“São famÃlias que perderam tudo face à s intempéries desde 2022 e, consequentemente, enfrentam desafios básicos, sobretudo na alimentação e saneamento”, explicou a presidente da fundação, Denise Foi, citada num comunicado daquela organização, após visitar um dos centros de realojamento daquelas famÃlias em MatutuÃne, na provÃncia de Maputo.
“Desde o primeiro momento temos estado a apoiá-las, mensalmente, com alimentos diversos, sobretudo de primeira necessidade”, acrescentou.
No documento, avança-se que se trata de um total de 650 famÃlias que foram “obrigadas a abandonar as suas casas” na cidade de Maputo desde a época chuvosa de 2022 e que, atualmente, encontram-se distribuÃdas entre centros de acomodação temporária e novas áreas de realojamento, estando “a beneficiar do apoio da fundação em produtos alimentares”.
Deste número de famÃlias beneficiárias, apontou, pelo menos 100 receberam das autoridades locais terrenos para habitação numa área de cerca de 11 hectares, “mas os desafios ainda são grandes”.
“Para sobreviver, a maior parte destas famÃlias recorre a agricultura de subsistência na vasta área concedida pelo municÃpio, mas os desafios impostos por limitações na distribuição de água afetam também estas pequenas produções”, referiu aquela fundação de princÃpios budistas.
Denise Foi frisou ainda sobre os desafios que notou durante a visita à quelas famÃlias reassentadas: “Não há habitações e também há desafios na questão da alimentação”.
Acrescentou terem sido identificados dois aspetos prioritários que, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e as autoridades municipais, pretendem continuar a resolver.
“Identificámos pelo menos dois aspetos prioritários, água e alimentação. A questão da água é muito importante porque nós queremos incentivar estas famÃlias a plantarem os seus próprios alimentos”, disse Denise Foi.
Nos últimos três anos, a fundação apoiou mais de 14 mil famÃlias na provÃncia de Nampula com alimentos, capacitação e bens essenciais. Após a passagem do ciclone Gombe, mobilizou ajuda imediata para 7.272 famÃlias, incluindo produtos de higiene e utensÃlios básicos.
Já após o ciclone Jude, em março deste ano, que afetou mais de 380 mil pessoas, provocando 43 mortos, a fundação voltou a intervir em Nampula, alcançando 7.013 famÃlias com distribuição de alimentos e ‘kits’ de higiene, sobretudo para pessoas acolhidas em centros de acomodação.
Fundada em 2012, a Tzu Chi intensificou a sua atuação em Moçambique após o ciclone Idai, em 2019, tendo já apoiado mais de 20 mil famÃlias em projetos de educação, saúde, reassentamento e segurança alimentar, com financiamento proveniente de mais de 10 milhões de voluntários em todo o mundo.
Na provÃncia de Sofala, o pacote de apoio à reconstrução está orçado em 108 milhões de dólares (101 milhões de euros), inteiramente disponibilizados pela fundação.
Moçambique é considerado um dos paÃses mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
VIYS (PVJ) // VM
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