Fuga de dados no Crime Stoppers expõe 1,5 milhões de denúncias no Canadá

Foto: Envato

Uma falha de segurança informática expôs 1,5 milhões de denúncias feitas ao Crime Stoppers no Canadá ao longo de 25 anos, além de dezenas de milhares de registos com informações pessoais que deveriam ter sido ocultadas.

Os dados foram roubados em março por um grupo de piratas informáticos que pretendia demonstrar que a plataforma P3, utilizada pelo Crime Stoppers para gerir denúncias anónimas, não era tão segura como a empresa responsável garantia.

A plataforma é gerida pela Navigate360, uma empresa norte-americana que não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre a fuga de dados. As delegações de Toronto e Guelph-Wellington afirmam ter recebido informações contraditórias sobre a dimensão da fuga e os dados comprometidos. A delegação de Toronto terá recebido seis versões diferentes sobre o incidente ao longo de sete meses.

O especialista em cibersegurança Ali Dehghantanha considera preocupante a forma como a empresa terá investigado o ataque e reativado o sistema. Em Ontário, Toronto, Halton e Guelph estão entre as localidades que suspenderam temporariamente os serviços de denúncia.

O caso levanta também questões sobre a responsabilização das entidades envolvidas e os direitos das vítimas. Michael Geist, especialista em direito da Universidade de Ottawa, explica que a organização que recolhe os dados continua responsável pela sua proteção, mesmo quando recorre a empresas externas. No entanto, considera que a legislação canadiana tem mecanismos de fiscalização frágeis e oferece poucas garantias de compensação às pessoas afetadas.

A associação nacional do Crime Stoppers afirma que especialistas em cibersegurança identificaram vulnerabilidades e aplicaram medidas corretivas. Contudo, reconhece que essas medidas não podem reverter a exposição dos dados já roubados.