
Lisboa, 26 mar (Lusa) — A direção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) expressou hoje a sua “estupefação e indignação pela forma como a honra e reputação da instituição foram afetadas com os acontecimentos ocorridos na terça-feira”, num comunicado publicado no seu sÃtio.
Em causa estão as buscas realizadas na sede da FPF por parte da Policia Judiciária no âmbito da Operação Mais Valia, por suspeitas de crimes como corrupção e fraude fiscal, envolvendo negócios de anteriores mandatos, entre 2016 e 2020.
A FPF, reunida de urgência, “reafirma ainda o seu compromisso quanto à absoluta intransigência perante práticas ilÃcitas ou criminais que venham a ser apuradas, agindo de modo inflexÃvel em relação a qualquer pessoa ou entidade que tenha lesado os interesses e o bom nome da instituição”.
Nesse sentido, o organismo decidiu implementar um conjunto de medidas que servirão para garantir que a FPF “seja sempre vista como um exemplo de boas práticas, transparência e defesa dos melhores valores cÃvicos e desportivos”.
Por forma a apurar eventuais responsabilidades civis ou criminais, a FPF decidiu estender ao mandato 2016-2020 a auditoria que já decorre, para uma “análise minuciosa e aprofundada, sobretudo nas áreas crÃticas que envolvem pagamento de comissões, prestações de serviços e procedimentos na área de recursos humanos”.
A “implementação imediata de processo de averiguação interna aos procedimentos administrativos de todos os departamentos da FPF” e a “aceitação, com efeito imediato, do pedido de revogação de contrato do prestador de serviços Paulo Lourenço” foram outras das medidas tomadas.
A FPF promete ainda “reforçar as polÃticas de compliance e dos mecanismos de escrutÃnio da idoneidade de todos membros dos órgãos sociais, funcionários e colaboradores”, implementar as certificações nas normas internacionais de qualidade, segurança da informação e anticorrupção e criar um Comité de Ética.
A direção do organismo decidiu ainda constituir-se “como assistente em todos os processos de natureza criminal em curso em que estejam em causa prejuÃzos para a FPF” e irá interpor “ações judiciais contra quaisquer pessoas e entidades que venham a ser responsabilizadas por danos causados” à federação.
A PolÃcia Judiciária efetuou na terça-feira buscas na sede da FPF por suspeitas dos crimes de recebimento indevido de vantagem, corrupção, participação económica em negócio e fraude fiscal.
A investigação da Operação Mais Valia, que teve inÃcio em 2021 e está a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, está relacionada com a venda da antiga sede da FPF, em 2018, na Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, por mais de 11 milhões de euros.
As buscas realizadas resultaram, até ao momento, na constituição de dois arguidos: o antigo deputado do Partido Socialista (PS) António Gameiro e o antigo secretário-geral da FPF Paulo Lourenço.
O diretor nacional da PJ, LuÃs Neves, garantiu, entretanto, que Fernando Gomes, que liderou a FPF nos últimos 13 anos e é agora presidente do Comité OlÃmpico de Portugal, e Tiago Craveiro, antigo diretor-geral do organismo federativo, não são arguidos.
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