
Maputo, 22 mai 2026 (Lusa) — Empresários moçambicanos preveem discutir, em julho, projetos de mais de 1.600 milhões de euros na Conferência Anual do Setor Privado (CASP), reunindo 2.000 participantes em Maputo, enquanto pedem ações coordenadas face aos desafios económicos.
A 21.ª edição da CASP, o maior fórum moçambicano entre os setores privado e público, vai decorrer de 15 a 16 de julho prevendo discutir, também com empresários estrangeiros, projetos avaliados em 1.900 milhões de dólares (1.636 milhões de euros), avançou, durante a apresentação, hoje, em Maputo, o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue.
O evento terá como lema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente” e acontece numa altura de fortes constrangimentos para a atividade empresarial, marcados por pressões internas e externas, como a falta de combustível, agravada pelo conflito no Médio Oriente, que levaram à subida de preços, situação que prejudica vários setores, desde logo agricultura e pesca, alertou o presidente da CTA.
“Temos uma série de problemas que precisam de ser equacionados e resolvidos. O setor privado tem agendado o encontro nessa área para discutir esses problemas com o Governo que vai acontecer e espero que a gente saia desse encontro com alguma posição que nos possa permitir caminhar”, assegurou Álvaro Massingue.
O responsável apontou entre outros desafios, os choques climáticos recorrentes, o acesso a divisas e limitações estruturais no ambiente de negócios.
Neste cenário, o líder dos empresários moçambicanos apelou à coordenação do setor, desde logo para concretizar o evento.
“É precisamente neste contexto que emerge a necessidade de maior ambição coletiva, de maior coordenação institucional e de uma visão partilhada de futuro. E é aqui que a 21.ª CASP 2026 ganha o seu verdadeiro significado: transformar desafios em oportunidades, reformas em resultados e potencial em competitividade real”, disse Álvaro Massingue, destacando o setor da agricultura, o agronegócio, como base da transformação estrutural do país.
Referiu ainda ser objetivo da CASP transformar a produção em valor acrescentado através da industrialização e da agroindústria, e competir com eficiência nos mercados regionais e globais, “tirando pleno proveito” da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
“Mas para que esta visão se concretize, precisamos de uma mobilização real, efetiva e comprometida de todos os atores económicos. Por isso, este lançamento é também um apelo direto ao setor privado nacional e internacional, às instituições financeiras, aos parceiros de desenvolvimento e aos investidores estratégicos (…) na definição e execução da agenda económica de Moçambique”, disse.
Para Álvaro Massingue, alinhar políticas públicas com as necessidades reais do mercado, remover constrangimentos estruturais e criar condições efetivas para fazer negócios em Moçambique “com mais rapidez, previsibilidade e competitividade”, constitui o principal objetivo desta edição da conferência.
Nesta edição, referiu ainda, espera-se mais de 2.000 participantes presenciais e 5.000 a interagir virtualmente, com cerca de 50 expositores empresariais, mais de 40 oradores e um conjunto de fóruns de investimento a decorrerem em sessões bilaterais com países estratégicos.
O evento terá também salas de negócios e espaços de encontro e reunião orientados para a concretização de parcerias e investimentos.
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